Livro Primeiro de Arquitectura Naval (c. 1600)

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== Background ==
 
== Background ==
  
The Livro Primeiro de Arquitectura Naval has been dated between 1608 and 1615, and is generally considered to have been written around 1600 by João Baptista Lavanha, the Chief Engineer and Chief Cosmographer of the kingdom of Portugal at that time. It is the theoretical work of a scholar, and not a practical text of a shipwright. It deals only with one type of vessel: the four decked nau for the India Route. It is clearly more modern than Oliveira's Liuro da Fabrica das Naus, basing the construction of hulls on paper drawings. Nevertheless, Lavanha calls for the need to pre-design a central portion of the hull, although only for five frames forward and abaft the midship section. The importance of this treatise lies in its accurate description of construction techniques, and in its detailed illustrations. It is incomplete, ending abruptly in the beginning of a description of the drawing of plans. <sup>1</sup>
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The Livro Primeiro de Arquitectura Naval has been dated between 1608 and 1615, and is generally considered to have been written around 1600 by João Baptista Lavanha, the Chief Engineer and Chief Cosmographer of the kingdom of Portugal at that time.  
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== João Baptista Lavanha ==
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Lavanha was born in Lisbon around 1550, son of a court officer, and he enjoyed a successful career in spite of his Jewish origins.
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He served as Master of Mathematics for four kings - Sebastian (1568-1578), Philip I (1581-1598), Philip II (1598-1621) and Philip III (1621-1640).
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In 1586 he was appointed Engineer of Portugal and in 1591 Chief Cosmographer.  In 1601 he visited Flanders.  In 1607 and 1613 he sat on the commissions in charge of the standardization of the shipbuilding industry in Spain and Portugal, which issued the Ordenanzas of 1607 and 1613.  Between 1610 and 1615 he worked on a map of Aragon, and in 1616 he worked on a system to supply water to Lisbon, a city constantly plagued by the scarcity of fresh water.  In that same year he was appointed Chief Chronicler.
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A friend of Cervantes and Lope de Vega, Lavanha died in 1624 after publishing many volumes, among which are a Description del Universo, written in Spanish, a Regimento Náutico, a Tratado da Arte de Navegar, a Tratado do Astrolábio, written in Portuguese, as well as a narrative of the shipwreck of the nau S. Alberto  which was later included in the História Trágico-Marítima by Bernardo Gomes de Brito. 
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A facsimile was published in 1996 with a transcription and a translation into English.
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== The Treatise ==
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It is the theoretical work of a scholar, and not the practical text of a shipwright. It deals only with one type of vessel: the four decked nau for the India Route. It is clearly more modern than Oliveira's Liuro da Fabrica das Naus, basing the construction of hulls on paper drawings. Nevertheless, Lavanha calls for the need to pre-design a central portion of the hull, although only for five frames forward and abaft the midship section. The importance of this treatise lies in its accurate description of construction techniques, and in its detailed illustrations. It is incomplete, ending abruptly in the beginning of a description of the drawing of plans. <sup>1</sup>
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== Table of Contents ==
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{|border="1" cellspacing="0" cellpadding="2"
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|-
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!Construction Feature!! Description!! Page
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|-
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|Quilha
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|1 unidade = Q
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deve ter secção rectangular, um pouco maior que o liame
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de sobro, se possível um pau inteiro
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|:89-90
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|Boca
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|suponho que seja a boca pela face exterior das balizas
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1/3 até ½ Q , i.e. 1/3 x [Q + (Roda = Q/3)] ou seja 1/3 x 1.33 Q = 0.44 Q
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|:86, 113
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|Pontal
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|suponho que seja o pontal da face superior da quilha à face superior do convés
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1/3 Q = 0.33 Q (sempre um pouco menos que a largura)
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|:86, 113
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|Roda
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|da mesma madeira que a quilha e da mesma secção
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¼ de círculo c/ R=Q/3 + altura p/ escovém (na vertical)
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|:90
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|Cadaste
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|<u>lançamento:</u>
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a) 1/7 do arc. c/ R=Q/3, ou 0.224 R, ou 0.075 Q
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b) 1/4.5 = 0.222 R, ou 0.074 Q
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c) 1/4 = 0.250 R, ou 0.083 Q
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da mesma madeira que a quilha e da mesma secção
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|:91-92
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|Painel da Popa
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|não é referido
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|Gio
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|da mesma madeira que a quilha e mais grosso que o cadaste
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½ da largura máx.
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|:92
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|Coral da roda
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|grossa e forte, da mesma maneira & madeira que a quilha
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|:93
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|Coral do cadaste
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|grossa e forte, da mesma maneira & madeira que a quilha
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|:93
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|-
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|Sobrequilha
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|por cima das cavernas, também para as ligar, para que não se despreguem da quilha.
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grossa e forte, da mesma maneira & madeira que a quilha
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|:93
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|-
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|Fundo
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|tem tantas cvs de cada lado como rumos tem a quilha toda
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é o espaço entre as almogamas
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|c
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|Cavernas mestras
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|<u>posição:</u>
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a) navios pequenos, a meio da quilha;
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b) navios grandes, até 1/8 da quilha p/ vante
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<u>comentários:</u>
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a) quanto maior é o delgado, melhor governa o navio;
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b) as que estão no plão são as mestras e não alevantam nem dobram;
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<u>número:</u>
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 +
a) até 15 rumos: 1
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b) 15 a 18 rumos: 2
 +
 
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c) 18 rumos ou mais: 3
 +
 
 +
<u>secção U c/ 1 palmo de goa de lado:</u>
 +
 
 +
a) nos navios de100 a 300 tonéis basta um palmo comum
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 +
b) nos navios de 60 a 100, um palmo comum menos 1 polegada ou 2 dedos
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 +
<u>traçado:</u>
 +
 
 +
a) Base: horizontal, c/ largura de 1/3 a ½ da Boca
 +
 
 +
b) Braços: circulares c/ centro num eixo long. horizontal, a 1/3 abaixo da altura do convés, subindo até ¼ abaixo da altura do convés
 +
 
 +
c) Hastes: rectilíneas (últimos 25% da altura, até ao convés), ligando o arco de circulo ao topo do convés
 +
|:94, 116
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:105-107
 +
|-
 +
|Almogamas
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|são as cv dos topos do fundo
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|:95
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|-
 +
|Par
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|é a medida de 1 cv + 1 vão
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|
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|-
 +
|Compartida, alturas
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|é o valor da subida total dos graminhos
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os graminhos de popa e proa são diferentes: o da popa sobe mais
 +
 
 +
a) popa: sobe 1/12 do comprimento, i.e. 1.5 pares p/ 18 cv
 +
 
 +
b) proa: sobe 1/12 - ½ ou 1/3, ou seja, sobe ± 1 par p/ 18 cv
 +
|:96
 +
|-
 +
|Graminhos, alturas
 +
|calculam-se segundo um de três métodos:
 +
 
 +
1.º -  "besta", que corresponde ao sen 90º / n.º rumos da quilha x compartida;
 +
 
 +
2.º - "rabo de espada", é um método gráfico de tentativa e erro
 +
 
 +
3.º - "brusca" , só para navios pequenos, é uma série linear: 1, 2, 3, .
 +
 
 +
as cv mestras não têm número
 +
|:95-100
 +
|-
 +
|Regel
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|linha recta entre a cabeça do graminho (na almogama de popa) e 1/3 ou ½ da altura do cadaste
 +
é o delgado da popa
 +
|:100
 +
|-
 +
|Enchimento da proa
 +
|arco entre a cabeça do graminho, i. e., a face superior (na almogama de proa) e 1/3 do comprimento da roda
 +
deve ser pouco expressivo
 +
|:100
 +
|-
 +
|Compartida, fundo
 +
|recolhem o mesmo à proa e à popa, i. e., as compartidas são iguais
 +
desenha-se da mesma forma que o das alturas
 +
 
 +
a) no plão o fundo deve ter de 1/3 a 1/2 da boca
 +
 
 +
b) até às almogamas deve recolher 1/3 nos navios grandes (um pouco mais nos pequenos)
 +
|:101
 +
|-
 +
|Graminhos, fundo
 +
|por  um dos três métodos
 +
|:101
 +
|-
 +
|Espalhamento
 +
|não é referido
 +
|
 +
|-
 +
|Graminhos, convés
 +
|desenha-se da mesma forma que o das alturas
 +
recolhe ± 1/8 da maior largura, metade de cada lado (estib. e bomb.)
 +
entre almogamas a compartida é o dobro da do levantamento, i.e., o convés recolhe de cada lado o mesmo que a caverna levanta
 +
|:113
 +
|-
 +
|Graminhos, Proa
 +
|desenha-se da mesma forma que o das alturas
 +
recolhe os 7/8 que faltam
 +
"alguns mestres costumam fazer a esmo segundo as suas estimativas, encostando o liame sobre as armaduras"
 +
na proa as hastes são em baixo e os braços em cima
 +
as primeiras cavernas da proa, logo a seguir à almogama, devem ter chão
 +
contudo, a partir do 2.º par, devem começar a fazer um ângulo agudo com o eixo da quilha
 +
serrando os cantos contra o enchimento as cvs da proa deverão ter os pés maciços até à roda
 +
no primeiro terço de altura as cvs devem ser pouco arqueadas
 +
|:109, 111, 113
 +
|-
 +
|Popa
 +
|da almogama para a popa recolherá o convés 3/8 da largura máxima, metade de cada lado
 +
ficando o gio com ½  de toda a largura
 +
na popa os braços são em baixo e as hastes em cima
 +
as cvs devem fazer uma transição suave até aos Revesados
 +
|
 +
|-
 +
|Latas
 +
(ou Vaus)
 +
|podem ligar todos os braços
 +
basta de 2 em 2 braços, sendo que de 3 em 3 vaus, se põe um mais forte
 +
|:113
 +
|-
 +
|Cobertas
 +
|pé-direito mínimo = 7 palmos de goa
 +
 
 +
a) 36 a 42 palmos de altura total, 3 cobertas: 15p + 8 a 9p + 8 a 9p + mareagem
 +
 
 +
b) 36 p, 3 cobertas: 14p + 7p + 7p
 +
 
 +
c) 30 a 36p, 3 cobertas: 13p + 6p + 6p
 +
 
 +
d) até 30p, 2 cobertas
 +
 
 +
e) até 24p, 2 cobertas
 +
 
 +
f) até 15p, 2 abertos (estroncados) - quando muito c/ ½ coberta à popa
 +
 
 +
as cobertas não devem passar de 3
 +
|:114
 +
|-
 +
|Grade (ou Ponte)
 +
|os navios grandes armam sobre o convés uma grade sem tábuas, quase igual a uma alcáçova
 +
sobre esta grade se lança uma rede de corda (ou coros de vaca crus, nos navios de guerra, como protecção contra fogo lançado pelo inimigo)
 +
não deve ser mais alta que o bordo da mareagem
 +
|:115
 +
|-
 +
|Pregadura
 +
|deve ser tão longa que atravesse quase toda a madeira, e em algumas partes passe além
 +
|:117
 +
|-
 +
|Costado
 +
|os que hão-de servir na guerra ou fazer viagens grandes devem ter tabuado grosso:
 +
 
 +
a) se fôr pinho ou cedro ou lerez, 4 dedos ou mais
 +
 
 +
b) se fôr angelim ou outra madeira rija, mais de 3 dedos
 +
 
 +
nos navios de cerca de 300 tonéis, deve ter um pouco menos
 +
nos de menos de 200 t, mais de 2 dedos
 +
|:117, 118
 +
|-
 +
|Sobrecostado
 +
|nas naus da Índia já se usa um costado duplo, sobre a galagala
 +
tb deve ser pregado e breado e, se não fôr calafetado, q seja bem junto e cerrado
 +
|:117, 118
 +
|-
 +
|Cintas
 +
|devem ter pelo menos mais 2 dedos que as tábuas e secção mais quadrada que rectangular
 +
ficam portanto salientes e correm ao longo do casco
 +
a 1.ª põe-se ligeiramente abaixo da 1.ª coberta, ou ao nível do dormente desta
 +
as restantes, quantas couberem, até ao convés, de 3 em 3 palmos
 +
|:118
 +
|-
 +
|Escoas e Dragas
 +
|no costado do porão não se costumam pôr cintas por for a, mas lançam-se por dentro tábuas grossas, as escoas e dragas
 +
|:118
 +
|-
 +
|Calafetagem
 +
|"estoparão uma vez, e duas, e quantas fôr necessário até as fendas não poderem mais levar, entupindo-as à força de maço, com estopa limpa e não podre"
 +
 
 +
"também atentarão com exscopro as tábuas, se são podres ou eivadas: e farão tirar as ruins e pôr em seu lugar outras boas"
 +
 
 +
"até nos buracos dos pregos cumpre que atentem, se ficam todos tapados com seus pregos"
 +
depois chamusca-se a superfície, para o breu agarrar nas tábuas lisas
 +
dá-se uma demão com breu "como quando aciam as paredes das casas
 +
volta-se a verificar as estopas com maço e escopro, a ver se o chamusco não queimou a estopa
 +
dá-se 2.ª demão com breu
 +
sobre o breu pregam-se então chapas de chumbo (nos navios que fazem viagens longas)
 +
 
 +
"em algumas não bream mais que as fendas sobre as estopas" quando a madeira não se corrompe, como o angelim (ou quando têm pouco breu)
 +
nos navios a remos dá-se sebo
 +
|:119
 +
|-
 +
|Obras mortas
 +
|sobre a mareação edificam-se os castelos
 +
|:120
 +
|-
 +
|Castelo da popa
 +
|o castelo da popa (nos navios de carrega) tem dois sobrados: o 1.º chama-se tolda (7 ou 8 palmos) e o 2.º alcáçova (1/2 da tolda)
 +
os sobrados têm borda de madeira (sejam grades, paveses ou tábuas) com uma goa de altura, para resguardo
 +
a tolda pode entrar do gio p/ dentro ½ do convés, lançando para a ré 1/5 da tolda
 +
tem a largura do convés
 +
nos navios latinos não se lança tanto o c.popa p/ caber o carro
 +
|:120
 +
|-
 +
|Castelo da proa
 +
|o vão debaixo dele chama-se habita
 +
avança para dentro ½ da altura do convés
 +
tem em altura 1/3 da altura do convés
 +
para for a da roda pode-se lançar alguma coisa, ao critério do mestre, acabando em ângulo agudo, por forma a ficar triangular
 +
nos navios latinos não costuma haver c.proa para se poder mudar a vela (passar o "caro")
 +
a menos q este caiba, como nas galeassas e outros navios longos
 +
|:120, 121
 +
|-
 +
|Governalho
 +
|os navios devem ter o tampão (?) largo, o regel alto e o delgado longo
 +
"em algumas partes o fazem dobradiço de 2 peças encaixadas à maneira dos ossos do cotovelo, (.) e das peças uma chamam cana, que é a que está pegada com o leme e a outra em que anda a mão do marinheiro, se chama pinção"
 +
 
 +
"porém mais certo é o inteiriço porque afirma o movimento da mão e faz ir o governalho seguro para onde o mandam"
 +
há dois tipos:
 +
 
 +
'''a)''' leme de pá: é como um remo, o seu ligar é na ilharga
 +
 
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'''b1)''' leme de roda, com cadaste direito (q são todos os de caravela para cima):
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preso com macho/fêmeas; de toda a altura do cadaste
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em baixo a largura deve ser tanta como o lançamento do cadaste
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em cima dece ter ½  dessa largura
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deve ser feito de várias peças pregadas e vale mais estar sobredimensionado
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todos os machos no leme e todas as fêmeas no cadaste
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devem ser feitos entalhes ("encarnas") no leme (no cadaste enfraqueciam a estrutura)
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os braços dos machos devem abraçar todo o leme
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devem-se travar os machos com cavilhas rebitadas, sob as fêmeas
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na base do cadaste deve ser lançada uma unha com 1 palmo, chamada polegar, que guarda o leme dos empecilhos
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abase do leme pode ser arredondada
 +
 
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 +
'''b2)''' leme de roda, com popa curva:
 +
 
 +
todos os machos no cadaste e fêmeas no leme
 +
 
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o mais baixo dos machos deve ser ³ ½ da altura do leme
 +
|:126-129
 +
|-
 +
|Obs.
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|nos navios de guerra o liame deve ser mais poderoso que nos de carrega
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|:116
 +
|}
  
  
Line 11: Line 358:
  
 
1.  [http://nadl.tamu.edu/treatises.html Nautical Archaeology Digital Library]
 
1.  [http://nadl.tamu.edu/treatises.html Nautical Archaeology Digital Library]
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 +
Lavanha, Livro primeiro de Architectura Naval, Fac-simile, transcription and translation into English, Lisboa: Academia de Marinha, 1996.
 +
 +
Domingues, Francisco Contente, "Documents on Portuguese Naval Architecture (late 16th-early 17th century). A general overview." in Alves, Francisco, ed., Proceedings of the International Symposium 'Archaeology of Medieval and Modern Ships of Iberian-Atlantic Tradition', Lisbon, September 1998. Lisbon, Portugal: IPA, 2001.
 +
 +
Domingues, Francisco Contente, Os navios do mar oceano, Lisbon, Centro de História dos Descobrimentos, 2004.
  
  

Revision as of 23:06, 11 December 2010


Contents

Background

The Livro Primeiro de Arquitectura Naval has been dated between 1608 and 1615, and is generally considered to have been written around 1600 by João Baptista Lavanha, the Chief Engineer and Chief Cosmographer of the kingdom of Portugal at that time.


João Baptista Lavanha

Lavanha was born in Lisbon around 1550, son of a court officer, and he enjoyed a successful career in spite of his Jewish origins.

He served as Master of Mathematics for four kings - Sebastian (1568-1578), Philip I (1581-1598), Philip II (1598-1621) and Philip III (1621-1640).

In 1586 he was appointed Engineer of Portugal and in 1591 Chief Cosmographer. In 1601 he visited Flanders. In 1607 and 1613 he sat on the commissions in charge of the standardization of the shipbuilding industry in Spain and Portugal, which issued the Ordenanzas of 1607 and 1613. Between 1610 and 1615 he worked on a map of Aragon, and in 1616 he worked on a system to supply water to Lisbon, a city constantly plagued by the scarcity of fresh water. In that same year he was appointed Chief Chronicler.

A friend of Cervantes and Lope de Vega, Lavanha died in 1624 after publishing many volumes, among which are a Description del Universo, written in Spanish, a Regimento Náutico, a Tratado da Arte de Navegar, a Tratado do Astrolábio, written in Portuguese, as well as a narrative of the shipwreck of the nau S. Alberto which was later included in the História Trágico-Marítima by Bernardo Gomes de Brito.

A facsimile was published in 1996 with a transcription and a translation into English.

The Treatise

It is the theoretical work of a scholar, and not the practical text of a shipwright. It deals only with one type of vessel: the four decked nau for the India Route. It is clearly more modern than Oliveira's Liuro da Fabrica das Naus, basing the construction of hulls on paper drawings. Nevertheless, Lavanha calls for the need to pre-design a central portion of the hull, although only for five frames forward and abaft the midship section. The importance of this treatise lies in its accurate description of construction techniques, and in its detailed illustrations. It is incomplete, ending abruptly in the beginning of a description of the drawing of plans. 1


Table of Contents

Construction Feature Description Page
Quilha 1 unidade = Q

deve ter secção rectangular, um pouco maior que o liame de sobro, se possível um pau inteiro

:89-90
Boca suponho que seja a boca pela face exterior das balizas

1/3 até ½ Q , i.e. 1/3 x [Q + (Roda = Q/3)] ou seja 1/3 x 1.33 Q = 0.44 Q

:86, 113
Pontal suponho que seja o pontal da face superior da quilha à face superior do convés

1/3 Q = 0.33 Q (sempre um pouco menos que a largura)

:86, 113
Roda da mesma madeira que a quilha e da mesma secção

¼ de círculo c/ R=Q/3 + altura p/ escovém (na vertical)

:90
Cadaste lançamento:

a) 1/7 do arc. c/ R=Q/3, ou 0.224 R, ou 0.075 Q

b) 1/4.5 = 0.222 R, ou 0.074 Q

c) 1/4 = 0.250 R, ou 0.083 Q

da mesma madeira que a quilha e da mesma secção

:91-92
Painel da Popa não é referido
Gio da mesma madeira que a quilha e mais grosso que o cadaste

½ da largura máx.

:92
Coral da roda grossa e forte, da mesma maneira & madeira que a quilha :93
Coral do cadaste grossa e forte, da mesma maneira & madeira que a quilha :93
Sobrequilha por cima das cavernas, também para as ligar, para que não se despreguem da quilha.

grossa e forte, da mesma maneira & madeira que a quilha

:93
Fundo tem tantas cvs de cada lado como rumos tem a quilha toda

é o espaço entre as almogamas

c
Cavernas mestras posição:

a) navios pequenos, a meio da quilha;

b) navios grandes, até 1/8 da quilha p/ vante

comentários:

a) quanto maior é o delgado, melhor governa o navio;

b) as que estão no plão são as mestras e não alevantam nem dobram;

número:

a) até 15 rumos: 1

b) 15 a 18 rumos: 2

c) 18 rumos ou mais: 3

secção U c/ 1 palmo de goa de lado:

a) nos navios de100 a 300 tonéis basta um palmo comum

b) nos navios de 60 a 100, um palmo comum menos 1 polegada ou 2 dedos

traçado:

a) Base: horizontal, c/ largura de 1/3 a ½ da Boca

b) Braços: circulares c/ centro num eixo long. horizontal, a 1/3 abaixo da altura do convés, subindo até ¼ abaixo da altura do convés

c) Hastes: rectilíneas (últimos 25% da altura, até ao convés), ligando o arco de circulo ao topo do convés

:94, 116
105-107
Almogamas são as cv dos topos do fundo :95
Par é a medida de 1 cv + 1 vão
Compartida, alturas é o valor da subida total dos graminhos

os graminhos de popa e proa são diferentes: o da popa sobe mais

a) popa: sobe 1/12 do comprimento, i.e. 1.5 pares p/ 18 cv

b) proa: sobe 1/12 - ½ ou 1/3, ou seja, sobe ± 1 par p/ 18 cv

:96
Graminhos, alturas calculam-se segundo um de três métodos:

1.º - "besta", que corresponde ao sen 90º / n.º rumos da quilha x compartida;

2.º - "rabo de espada", é um método gráfico de tentativa e erro

3.º - "brusca" , só para navios pequenos, é uma série linear: 1, 2, 3, .

as cv mestras não têm número

:95-100
Regel linha recta entre a cabeça do graminho (na almogama de popa) e 1/3 ou ½ da altura do cadaste

é o delgado da popa

:100
Enchimento da proa arco entre a cabeça do graminho, i. e., a face superior (na almogama de proa) e 1/3 do comprimento da roda

deve ser pouco expressivo

:100
Compartida, fundo recolhem o mesmo à proa e à popa, i. e., as compartidas são iguais

desenha-se da mesma forma que o das alturas

a) no plão o fundo deve ter de 1/3 a 1/2 da boca

b) até às almogamas deve recolher 1/3 nos navios grandes (um pouco mais nos pequenos)

:101
Graminhos, fundo por um dos três métodos :101
Espalhamento não é referido
Graminhos, convés desenha-se da mesma forma que o das alturas

recolhe ± 1/8 da maior largura, metade de cada lado (estib. e bomb.) entre almogamas a compartida é o dobro da do levantamento, i.e., o convés recolhe de cada lado o mesmo que a caverna levanta

:113
Graminhos, Proa desenha-se da mesma forma que o das alturas

recolhe os 7/8 que faltam "alguns mestres costumam fazer a esmo segundo as suas estimativas, encostando o liame sobre as armaduras" na proa as hastes são em baixo e os braços em cima as primeiras cavernas da proa, logo a seguir à almogama, devem ter chão contudo, a partir do 2.º par, devem começar a fazer um ângulo agudo com o eixo da quilha serrando os cantos contra o enchimento as cvs da proa deverão ter os pés maciços até à roda no primeiro terço de altura as cvs devem ser pouco arqueadas

:109, 111, 113
Popa da almogama para a popa recolherá o convés 3/8 da largura máxima, metade de cada lado

ficando o gio com ½ de toda a largura na popa os braços são em baixo e as hastes em cima as cvs devem fazer uma transição suave até aos Revesados

Latas

(ou Vaus)

podem ligar todos os braços

basta de 2 em 2 braços, sendo que de 3 em 3 vaus, se põe um mais forte

:113
Cobertas pé-direito mínimo = 7 palmos de goa

a) 36 a 42 palmos de altura total, 3 cobertas: 15p + 8 a 9p + 8 a 9p + mareagem

b) 36 p, 3 cobertas: 14p + 7p + 7p

c) 30 a 36p, 3 cobertas: 13p + 6p + 6p

d) até 30p, 2 cobertas

e) até 24p, 2 cobertas

f) até 15p, 2 abertos (estroncados) - quando muito c/ ½ coberta à popa

as cobertas não devem passar de 3

:114
Grade (ou Ponte) os navios grandes armam sobre o convés uma grade sem tábuas, quase igual a uma alcáçova

sobre esta grade se lança uma rede de corda (ou coros de vaca crus, nos navios de guerra, como protecção contra fogo lançado pelo inimigo) não deve ser mais alta que o bordo da mareagem

:115
Pregadura deve ser tão longa que atravesse quase toda a madeira, e em algumas partes passe além :117
Costado os que hão-de servir na guerra ou fazer viagens grandes devem ter tabuado grosso:

a) se fôr pinho ou cedro ou lerez, 4 dedos ou mais

b) se fôr angelim ou outra madeira rija, mais de 3 dedos

nos navios de cerca de 300 tonéis, deve ter um pouco menos nos de menos de 200 t, mais de 2 dedos

:117, 118
Sobrecostado nas naus da Índia já se usa um costado duplo, sobre a galagala

tb deve ser pregado e breado e, se não fôr calafetado, q seja bem junto e cerrado

:117, 118
Cintas devem ter pelo menos mais 2 dedos que as tábuas e secção mais quadrada que rectangular

ficam portanto salientes e correm ao longo do casco a 1.ª põe-se ligeiramente abaixo da 1.ª coberta, ou ao nível do dormente desta as restantes, quantas couberem, até ao convés, de 3 em 3 palmos

:118
Escoas e Dragas no costado do porão não se costumam pôr cintas por for a, mas lançam-se por dentro tábuas grossas, as escoas e dragas :118
Calafetagem "estoparão uma vez, e duas, e quantas fôr necessário até as fendas não poderem mais levar, entupindo-as à força de maço, com estopa limpa e não podre"

"também atentarão com exscopro as tábuas, se são podres ou eivadas: e farão tirar as ruins e pôr em seu lugar outras boas"

"até nos buracos dos pregos cumpre que atentem, se ficam todos tapados com seus pregos" depois chamusca-se a superfície, para o breu agarrar nas tábuas lisas dá-se uma demão com breu "como quando aciam as paredes das casas volta-se a verificar as estopas com maço e escopro, a ver se o chamusco não queimou a estopa dá-se 2.ª demão com breu sobre o breu pregam-se então chapas de chumbo (nos navios que fazem viagens longas)

"em algumas não bream mais que as fendas sobre as estopas" quando a madeira não se corrompe, como o angelim (ou quando têm pouco breu) nos navios a remos dá-se sebo

:119
Obras mortas sobre a mareação edificam-se os castelos :120
Castelo da popa o castelo da popa (nos navios de carrega) tem dois sobrados: o 1.º chama-se tolda (7 ou 8 palmos) e o 2.º alcáçova (1/2 da tolda)

os sobrados têm borda de madeira (sejam grades, paveses ou tábuas) com uma goa de altura, para resguardo a tolda pode entrar do gio p/ dentro ½ do convés, lançando para a ré 1/5 da tolda tem a largura do convés nos navios latinos não se lança tanto o c.popa p/ caber o carro

:120
Castelo da proa o vão debaixo dele chama-se habita

avança para dentro ½ da altura do convés tem em altura 1/3 da altura do convés para for a da roda pode-se lançar alguma coisa, ao critério do mestre, acabando em ângulo agudo, por forma a ficar triangular nos navios latinos não costuma haver c.proa para se poder mudar a vela (passar o "caro") a menos q este caiba, como nas galeassas e outros navios longos

:120, 121
Governalho os navios devem ter o tampão (?) largo, o regel alto e o delgado longo

"em algumas partes o fazem dobradiço de 2 peças encaixadas à maneira dos ossos do cotovelo, (.) e das peças uma chamam cana, que é a que está pegada com o leme e a outra em que anda a mão do marinheiro, se chama pinção"

"porém mais certo é o inteiriço porque afirma o movimento da mão e faz ir o governalho seguro para onde o mandam" há dois tipos:

a) leme de pá: é como um remo, o seu ligar é na ilharga


b1) leme de roda, com cadaste direito (q são todos os de caravela para cima):

preso com macho/fêmeas; de toda a altura do cadaste

em baixo a largura deve ser tanta como o lançamento do cadaste

em cima dece ter ½ dessa largura

deve ser feito de várias peças pregadas e vale mais estar sobredimensionado

todos os machos no leme e todas as fêmeas no cadaste

devem ser feitos entalhes ("encarnas") no leme (no cadaste enfraqueciam a estrutura)

os braços dos machos devem abraçar todo o leme

devem-se travar os machos com cavilhas rebitadas, sob as fêmeas

na base do cadaste deve ser lançada uma unha com 1 palmo, chamada polegar, que guarda o leme dos empecilhos

abase do leme pode ser arredondada


b2) leme de roda, com popa curva:

todos os machos no cadaste e fêmeas no leme

o mais baixo dos machos deve ser ³ ½ da altura do leme

:126-129
Obs. nos navios de guerra o liame deve ser mais poderoso que nos de carrega :116


References

1. Nautical Archaeology Digital Library

Lavanha, Livro primeiro de Architectura Naval, Fac-simile, transcription and translation into English, Lisboa: Academia de Marinha, 1996.

Domingues, Francisco Contente, "Documents on Portuguese Naval Architecture (late 16th-early 17th century). A general overview." in Alves, Francisco, ed., Proceedings of the International Symposium 'Archaeology of Medieval and Modern Ships of Iberian-Atlantic Tradition', Lisbon, September 1998. Lisbon, Portugal: IPA, 2001.

Domingues, Francisco Contente, Os navios do mar oceano, Lisbon, Centro de História dos Descobrimentos, 2004.


Further Readng

Link to NADL copy of Livro Primeiro de Arquitectura Naval (c. 1600)

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