Clio. Revista do Centro de História da Universidade de Lisboa, nº 10, May 2004.
Dr. Francisco Contente Domingues
 

Filipe Vieira de Castro, A Nau de Portugal. Os navios da conquista do Império do Oriente 1498-1650, Lisboa, Prefácio, 2003.

A editora Prefácio tem vindo a publicar uma colecção a que deu o título de "História Militar", que reclama possuir "um conceito inovador, que propõe aos leitores uma visão abrangente, das diferentes vertentes da Historiografia Militar e das matérias que dela fazem parte" (da contracapa). Para cumprir esse objectivo divide-se em quatro séries: Batalhas e Campanhas, Armas de Portugal, Memórias de Guerra, e Estudos e Documentos. A colecção é dirigida por dois investigadores com obra reconhecida: Augusto Salgado e João Pedro Vaz.
É devida uma primeira palavra a esta aposta editorial. A História Militar não é um campo fácil, presa como ainda está à ideia de que, enquanto matéria de investigação historiográfica, continua a dever a gostos antigos e quadros epistemológicos ultrapassados. É evidente que as coisas mudaram muito nos últimos anos, sobretudo devido à apetência de novos investigadores que a ela chegaram munidos das ferramentas problemáticas adequadas, mas também graças aos resultados do esforço continuado da Comissão Portuguesa de História Militar que, sob a direcção do General Manuel Freire Themudo Barata, promoveu colóquios, publicações e, até a escolarização do seu estudo a nível pós-graduado, como acontece em seminários de mestrado da Faculdade de Letras de Lisboa. Ainda assim comporta um risco não desprezível apostar numa colecção com as características desta, já que o interesse do grande público por estas questões - é das matérias que, em História, mais responde a este tipo de procura - tem de ser compaginado a par e passo com a qualidade dos textos. Cumpre assinalar que esse equilíbrio tem vindo a ser conseguido, genericamente falando, e por terem sabido chegar e continuar no mercado desta forma estão de parabéns editor e directores da colecção.
Quanto aos livros em si, apresentam-se-nos com um formato agradável, bom aparato gráfico (mais à frente referir-me-ei a este particular no que toca à obra em apreciação), com cerca de uma centena de páginas muito ilustradas e poucas notas de rodapé. Tudo junto define bem o público destinatário, muito mais o leitor genericamente interessado neste tipo de matérias que o especialista; porventura condição de sobrevivência do projecto num mercado editorial escasso como é o nosso.
Este livro cumpre perfeitamente o objectivo em função destes parâmetros; desengane-se porém quem pensa que fica por aqui, e que ao investigador na matéria estão reservadas outras leituras. Ele interessa-lhe, e muito, por duas ordens de razões: não há outras leituras!, e a qualidade do texto é exemplar. Tanto para o simples curioso como para o especialista em História Militar Naval, diga-se desde já que se trata de uma leitura incontornável.
Comecemos pelo princípio (passe a redundância). Pela consulta da bibliografia de Arqueologia Naval que venho de publicar , fica patente que as monografias sobre tipologias e navios definidas são escassas na produção historiográfica portuguesa desde que Henrique Lopes de Mendonça criou aquela disciplina em 1892. Em rigor toda essa produção é escassa, o que não deixa de ser paradoxal face à importância dada às embarcações na História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa, e ao que delas de afirma em tom de certeza mesmo em obras especializadas, mas a situação é particularmente difícil de entender quando se verifica que sobre os navios emblemáticos das navegações há poucas ou nenhumas monografias (àparte os artigos, também eles em número diminuto), consoante os casos. O que pretendo dizer é que seria de esperar que tivesse havido uma publicação regular e constante de monografias sobre a caravela, a nau ou o galeão, ao invés do aparecimento episódico de um ou outro livro; mas não houve.
De 1892 até hoje publicaram-se sete monografias sobre a nau . Importa precisar que nos reportamos à nau da Índia, ou seja, ao navio redondo de características relativamente particulares que foi usado desde Vasco da Gama até aos meados do século XVII para assegurar a Rota do Cabo, tanto porque é exactamente este o objecto deste livro, como porque é dela que tratam os estudos existentes, quase sem excepção. Vários estudos sobre armadas (como as de Vasco da Gama ou Pedro Álvares Cabral) tratam também dos navios que as compuseram, com interesse e atenção desigual. Mas, em rigor, sobre a nau, o número é o referido acima. As datas de publicação são em si mesmas elucidativas: 1892, 1928, 1933, 1960, 1971, 1992 e 1999.
Nenhum destes livros ou opúsculos tem ou reclama sequer o escopo alargado e o espírito de síntese do de Filipe Castro, o que só por si já chegaria para dar a aposta como ganha. A excepção será o livro de Vasco Viegas intitulado precisamente As Naus da Índia . Mas este caso é particular por se basear numa única fonte (o Livro de Traças de Carpintaria de Manuel Fernandes) e ter como objectivo a reconstituição do traçado geométrico dos navios.
Assim sendo, o livro de Filipe Castro vem ocupar um espaço em aberto na produção historiográfica portuguesa, e cumpre dizer que o seu articulado mostra que o autor a domina perfeitamente. É óbvio que tem perfeita consciência do facto, do qual não faz qualquer alarde, já que perante essa tradição historiográfica se posiciona sempre pela positiva, mencionando quem escreveu antes e afirmando o que tem a dizer sem chamar a atenção para a novidade da informação e dos pontos de vista que carreia constantemente.
Poderá ser esta a atitude mais adequada, mas confesso que me suscita alguma reserva. Num livro com estas características há que guiar o leitor que, vindo de se interessar pelo assunto, queira aprofundar os seus conhecimentos, e os nomes de alguns dos autores que cita não podem estar ao lado do de Leonor Freire Costa, cujos trabalhos são excelentes, só para citar este caso.
A obra trata em primeiro lugar dos homens que iam a bordo e da distribuição do espaço, passando depois para um breve historial das origens da nau, segue com a análise das fontes e termina com um capítulo dedicado aos pioneiros da arqueologia e aos caçadores de tesouros.
A descrição das condições em que seguiam a bordo passageiros e tripulantes não traz novidade de maior, nem a intenção era essa num livro desta natureza, dado que se destinam a "ambientar" o leitor. Afinal os navios foram feitos para transportar homens e a história de quem eles eram, como se distribuíam hierarquicamente e viviam a bordo, é também ela história dos navios. Nestas páginas, e como sempre, o autor evidencia - sempre sem qualquer alarde erudito - estar perfeitamente a par do se tem escrito sobre estes assuntos.
Seguem-se as páginas 33 a 46 com dois curtos capítulos sobre as origens das naus e a sua caracterização. Não posso comentá-los a par e passo, e bastará dizer que se estas são páginas de referência mesmo para os eruditos. O texto sobre a evolução das velas redondas e latinas no Mediterrâneo é uma excelente síntese, e não conheço nada de semelhante na capacidade de exposição e actualização de dados escrito em português; mas na verdade poderia dizer isto de quase todo o livro.
Lidas estas páginas o leitor fica a saber exactamente o que era uma nau da Índia na medida das possibilidades do estado actual dos nossos conhecimentos, e em resultado da plena integração de todos os tipos de fontes: iconográficas, arqueológicas e documentais.
Devo porém acrescentar que não fico completamente convencido com a proposta de Filipe Castro em relação a um dos assuntos mais controversos de tudo isto: a correspondência das unidades de medida usadas à época na construção naval com o sistema métrico décimal . Não ignoro que os arqueólogos têm dados precisos, resultantes na manipulação e medição directa dos materiais, pelo menos quando comparados com as medidas da documentação técnica. Mas julgo que esta é suficientemente clara na caracterização daquilo a que Alexandre Koyré chamou - a meu ver com particular felicidade - "o mundo do mais ou menos": quer dizer, o que está em causa não é a capacidade técnica de determinar e usar medidas de e com rigor, é saber o ponto até ao qual elas cabem no quadro mental e cultural da época. Assim, um rumo tem 1,54m ou aproximadamente 1,5m? Há bitolas e escalas que permitam determinar que todos usavam o rumo de 1,54m, de forma padronizada e uniformizada? Tenho muitas dúvidas em relação a estes aspectos, mas também a certeza de que não é em livro com estas características que o autor poderia desenvolver o assunto.
Os três capítulos seguintes apresentam os diversos tipos de fontes - demonstrando pleno domínio da informação -, e considero que esta é uma das principais mais-valias do livro. O que mais existe são monografias e artigos sobre os navios desta época que evidenciam a ausência da mais elementar reflexão crítica sobre as fontes. Tanto Adolfo Silveira Martins como eu próprio propusémos abordagens críticas dos recursos informativos disponíveis (exclusivamente documentais no meu caso), mas em trabalhos de âmbito estritamente académico. É notável que se proceda assim num texto dirigido a outro público, e fazendo-o de uma forma que torna a matéria tão acessível como qualquer outra. Julgo que só quem já escreveu sobre o assunto pode avaliar o quão difícil isto é.
Esta é porém a parte mais desigual do trabalho, com duas escassas páginas sobre as fontes iconográficas, e uma atenção muito grande às arqueológicas. Compreende-se o interesse do autor por estas últimas, e a descrição de alguns naufrágios está muito bem conseguida, fazendo o percurso da história da viagem e do navio até à localização dos despojos, tornando a leitura destas páginas ainda mais agradável que o resto, sem qualquer cedência ao rigor e à quantidade de informação necessária, doseada em termos adequados.
Filipe Castro, engenheiro civil de formação académica e arqueólgo subaquático por vocação, é um dos destacados opositores da exploração e aproveitamento comercial particular dos despojos de navios naufragados. São muito oportunas as referências que faz a este propósito, porquanto se trata de um problema de política cultural com grandes consequências a nível científico; mas também porque põe o dedo na ferida, explicando ao leitor que o negócio tem mais de uma vertente. Hoje em dia, o "caçador de tesouros" não enriquece a mergulhar e a vender objectos valiosos no mercado internacional: vive essencialmente da capacidade de captação de recursos junto de investidores pouco escrupulosos, que miram a rápida multiplicação de capitais, amiúde com consciência da total inobservância das normas legais dos Estados em cujas zonas marítimas actuam as companhias em que investem. Que saiam defraudados das suas expectativas não se pode dizer que seja moralmente injusto, que no rasto destas actividades fiquem prejuízos irreparáveis em espólios de grande valor científico é que já é lamentável.
Por fim, cabe uma nota sobre a ilustração. É muito fácil cair na tentação de recorrer a imagens sugestivas, embora sem grande valor histórico-arqueológico, dada a escassez de material, mas disso não há traço aqui. A escolha da ilustração revela o olhar seguro de quem sabe o que vê e o que vale a imagem. Lamento porém não poder dizer o mesmo da qualidade da reprodução, claramente abaixo do nível a que estávamos habituados por esta editora: as imagens a preto e branco são pouco nítidas e as de cor andam longe das cores originais.
Posto isto, fica por dizer que o autor escreve de uma maneira quase coloquial, tornando a leitura extremamente agradável: estas páginas - todas elas, e não apenas as dedicadas às fontes, que mencionei acima - desaparecem num ápice debaixo dos olhos do leitor, e esse é um dos seus maiores méritos.
Não é com este livro que Filipe Castro toma posição na historiografia da matéria, por um motivo simples: tem-na já, com pleno direito, por via das comunicações em colóquios e os artigos publicados em revistas científicas portuguesas e estrangeiras , e sobretudo com a tese de doutoramento, cuja publicação se aguarda - tese que valeu um convite para ficar como professor na Universidade norte-americana em que foi preparada, e onde é hoje professor associado. Mas ao escrever um livro que pela forma e conteúdo cabe predominantemente no que se chama "alta divulgação" (perdoe-se-me o galicismo), fê-lo de maneira e incorporou um tal capital de novidades informativas e de interpretação que, tal como disse de entrada, o torna de leitura imprescindível para um largo leque de leitores, que vai do simples curioso dos navios ao especialista de Arqueologia Naval.


Francisco Contente Domingues
 

 
Filipe Vieria de Castro, The Portuguese nau. The ships of the conquest of the Eastern Empire 1498-1650, Lisbon, Prefacio, 2003.
(Book review translated by Rosane Machado - Texas A&M University)


The editor Prefacio recently published a collection under the title of 'Military History', which claims to possess 'an innovative concept that gives the reader a comprehensible vision on the different sides of Military Historiografy and the subjects that are part of it (from the cover). To reach this objective the series was divided in four series: Battles and Campaigns, Portuguese weaponry, War memories and Studies and Documents. Two known investigators manage the collection: Augusto Salgado and Joao Pedro Vaz.
A first comment about this editorial set up. Military History is not a simple subject, as the current idea about investigative historiography remains that it is still dependent on old ideals and surpassed epistemological frameworks. It is clear that things have changed drastically in recent years, which is mostly due to the appetite of new investigators who came to this field armed with the proper problem-solving tools, but also thanks to the results of the continuing effort of the Portuguese Commission of Military History. The commission, under the direction of General Manuel Freire Themudo Barata, promoted discussions, publications and the promotion of study of Military History on a post graduate level, such as the seminars at master degree level at the liberal arts Faculty of Lisbon. Even so a collection such as this one remains a substantial risk, as the interest of the general public for these kind of questions - and the resources that, historically, correspond more closely to this type of demand - has to be closely accompanied by the quality of the texts. It has to be said that this equilibrium has generally been achieved, and the editor and the managers should be applauded for their entry and continuation on the market.
As far as the individual books are concerned, they present a pleasant format and graphics (I will later refer to this particular one in this respect), with around a hundred well-illustrated pages and few footnotes. This well defines the intended audience, much more the interested reader then the specialist; perchance the condition for survival of the project in our small editorial market.
This book fully fulfills the objective considering these parameters; but who thinks this study is limited and not of interest for the investigator, for whom other readings are available, is mistaken. This book interests him and well for two reasons: there are no other readings! And the quality of the text is exemplary. This book is a must for the bystander as well as for the specialist in Military History.
Lets start at the beginning (and avoid redundancies). It is evident through consultation of the bibliography of Naval Archeology that I recently published, that the monografies about typologies and specific ships are rare in the Portuguese historiography production since Henrique Lopes de Mendonca created the discipline in1892. Strictly speaking this whole production is scarce, which does not cease to be paradoxical in view of the importance given to vessels in the history of the Discoveries and the Portuguese Expansion, and the affirmations made about them in even specialized works. It is especially hard to understand when we see few or no monographies (apart from the articles, which also in very small numbers) on the important ships, depending on the cases. What I mean to say is that it was to be expected that there was a constant and regular stream of publications on the caravel, the nau or the galleon, instead of an episodic appearance in some or other book; but there was not.
From 1892 until today seven monographies were published on the nau. It is important to clarify that we refer to the India Nau, or to the round ship of particular characteristics that was used since Vasco da Gama until the middle of the XVII century to secure the Cape route, both because it is precisely the objective of this book and because it is the subject of almost all the existing studies. Several studies on fleets (like those of Vasco da Gama or Pedro Alvares Cabral) also deal with the ships that made up the fleet, with varying degree of interest and attention. However, to be exact, the number of studies on the nau is that mentioned earlier. The dates of publication are in itself revealing: 1892,1928, 1933, 1960, 1971, 1992 and 1999.
None of these books or studies has or claims to have the wider scope and synthesis of that of Filipe Castro, which in itself would be sufficient to reach its objective. An exception is Vasco Viegas' As Naus da India. Then again this is a particular case because it is based on one single source (Manuel Fernandes' Livro de Tracas de Carpintaria) and its only objective is the reconstruction of the geometrical design of the ships.
Filipe Castro's book will occupy an empty space in the Portuguese historiography production, and I need to point out that his exposition shows the author completely dominates the subject. It is obvious that he knows this, without being ostentatious, as his positive attitude towards this historiographic tradition shows, mentioning who wrote about it before and saying what he has to say without calling attention to the novelty of the information and the viewpoints he brings up continuously.
This could be the most appropriate attitude but I have to confess that I have some reservations. In a book like this one, the reader who becomes interested in this subject and who wants to expand his knowledge, needs to be guided and therefore the names of some of the authors quoted should not be next to Leonor Freire Costa, to name just an example, whose work is excellent.
The work deals foremost with the men that went on board and the division of the space, followed by a brief history of the origins of the nau, the analysis of the sources and ends with a chapter dedicated to the pioneers of archeology and to treasure hunting.
The descriptions of the conditions on board for the passengers and the crew does not bring big surprises, nor is that the intention in this kind of book, given the fact that these descriptions serve as an introduction to the material. After all, these ships were made to transport people, the stories of who they were and the hierarchy and life on board, is also part of the history of the ship itself. In these pages the author shows, as always without any pretenses, that he is perfectly aware of everything written on the subject.
Pages 33 to 46 include 2 short chapters about the origin of the nau and its characterization. Without going into detail, it suffices to say that these are pages of reference for the specialists. The text about the evolution of round and lateen sails in the Mediterranean is an excellent synthesis and I am not aware of anything similar written in Portuguese, as far as competence of exposition and actualization of information are concerned; but that can be said of almost the entire book.
After reading these pages the reader knows exactly what an India Nau was, as far as our actual knowledge goes, as a result of a complete integration of all possible sources: iconographical, archeological and documental.
However, I do need to add that I am not completely convinced by Filipe Castro's proposal in relation to one of the most controversial issues of all of this:
The correspondence of the units of measurement used at the time with those of the decimal metric system. I am aware that archeologists do have precise information, resulting from manipulation and direct measurements of the materials, at least when compared with measurements in the technical documentation. But I think this is clear enough in the characterization of what Alexandre Koyre called - very fortunately - " the world of more or less": meaning, what is at stake is not the technical capacity to determine and use these measures exactly, but to know to what point these measures fit in the mental and cultural framework of the time. Therefore, a bearing measures 1,54 meter or approximately 1,50 meter? Are there measures and scales that allow us to determine that everybody used a bearing of 1,54 meter, in a standardized and uniform way? I have many doubts in relation to these aspects, but I am also sure that this is not the kind of book in which the author could develop this subject.
The next three chapters present the different sources - showing full awareness of the available literature -, and I consider this one of the main assets of this book. What has been written are monographies and articles about ships of this period that show a lack of any critical reflection on the sources. Adolfo Silveira Martins as well as myself have proposed critical approaches to the available informative resources (in my case exclusively documentary), but only in strictly academic studies. This approach in a book for the general public and presented in such an accessible way, is remarkable. I believe that only those who have written about this subject can appreciate how difficult this really is.
However, It is here we find the most disproportionate part of this work, with two scanty pages dedicated to iconography and a large attention given to archeology. I understand the author's interest in the latter, and the description of several shipwrecks is well accomplished as a trajectory starting with the history of the voyage and the ship to the localization of the wreck. This makes for even more pleasant reading while rigor and the inclusion of the necessary information, dosed in adequate quantities, is maintained.
Filipe Castro, civil engineer and nautical archeologist, is an outspoken opponent of exploration and commercial exploitation for personal profit of the spoils of shipwrecks. The references he gives in this regard are very useful since this is a problem of cultural politics with great scientific consequences, but he also puts his finger on the wound when he explains to the reader that this business has more than one side. Nowadays, the 'treasure hunter' does not get rich diving and selling the spoils on the international market: he lives mainly from his capacity to raise funds from unscrupulous investors, hoping for a rapid multiplication of their investment, often well aware that the laws of the states in whose waters the companies operate, are completely disregarded. That the treasure hunter leaves this business disappointed in his expectations might not be unjust but that irreparable damage is done to valuable remains of great scientific value is lamentable.
Finally a note on the illustrations. It is very easy to resort to suggestive images without much historic-archeological value, given the scarcity of material, but that is not the case here. The choice of illustrations reveals an acute awareness of the value of the image. Unfortunately not the same can be said of the quality of the reproduction, which is clearly below the usual standard of this editor: the images in black and white are unclear while the colored ones are far from the original colors.
What is left to be said is that the author writes in an almost conversational fashion that makes for an extremely pleasant reading: the pages - all of them and not only those about the sources, which I mentioned here - read like a novel and that is one of its greatest merits.
It is not with this book that Filipe Castro takes a place in the historiography of this material, and well for a simple reason: - he already has that place, and well deserved, through his communications in meetings and articles published in scientific magazines, Portuguese and foreign, and especially with his dissertation, in press at the moment - a dissertation that gave him an invitation to become professor in the North American university where it was written and where he is assistant professor today. However, in writing a book that by its form and content is predominantly aimed at the general public and includes a wealth of new information and interpretations, he accomplished a vital work of literature for a large audience, from the interested layperson to the specialist of nautical archeology.

Francisco Contente Domingues