o naufrágio da Nossa Senhora da Luz (V) 

Paulo Monteiro

 

AHU, Açores, caixa 1, doc. 13.
Carta de Cristóvão de Almada, provedor da casa da Índia e de Cristóvão Soares, secretário da mesma instituição ao Rei, sobre os direitos das mercadorias resgatadas do naufrágio da Nossa Senhora da Luz.
Lisboa, 13 e 14 de Abril de 1616


Senhor

Vio sse neste conselho hum escrito do sacretario Cristovão Soarez, com outro a elle encluso de Crsitovão d Almada provedor da casa da Jndia que o arcebispo viso rey remeteo ao mesmo conselho para se haverem de despachar com brevidade as fazendas que ora vierão da jlha do Fajal do naufragio que alj fez a nao capitania o anno passado vindo da Jndia, no modo que se apontava nos ditos escritos.
Pareceo que vossa magestade devia ser servido mandar que se ponhão em pregão os dereitos que se deverem à fazenda de vossa magestade, de todas as fazendas, e pedraria que as ditas urcas trouxerão, e com jsso se dará logo brevemente despacho as partes em suas fazendas. Vossa Magestade mandara o que for servido.
Em Lisboa a 13 de Abril de 616.

Luis da Silva

Pereira

Simão Soares


O doutor Cosme Rangel foi nesta consulta e não asinou por se não achar prezente


[à margem] Conformo me desta consulta. Em Lisboa a 14 de Abril de 1616. Arcebispo de Lisboa


As fazendas que estas urquas trouxerão tenho jnformação que se benefiçarão muj mal e tiverão menos tempo pera se emxugarem e desta calidade he forçado acodir se lhe com brevidade, porque se perdem em estarem juntas; pello que convem mandar vossa senhoria ordenar que se despachem, as que tiverem dono, e as que se não souber o que se ha de fazer dellas, porque se não uzar de brevidade no despacho de humas, e outras temo que se perquam todas, o que vossa senhoria não deve premitir, pois esta nesse lugar para mandar remediar tudo.

Eu tenho recolhido nesta caza cento e ojto bizalhos que com o despacho que vossa senhoria mandou dar se manifestarão, e já são muj perto com os que vierão da jlha de trezentos. Affirmo a vossa senhoria que em catorze annos que ha que sirvo a sua magestade não entrarão em todos elles juntos tantos bizalhos como estes, e eu me atrevera asegurar lhe mujtos mais se sua magestade quizera abater os direitos da pedraria a sinquo per cento mas como esta materia he para outro tempo não lembro a vossa senhoria que se despache com brevidade asim esta pedraria como a que vejo, porque he couza em que mais servimos a sua magestade e as partes recebem maior beneficio. Guarde Deus a vossa senhoria como pode.

De caza terça feira.
Christovão d Almada


Envio a vossa senhoria da parte do senhor vise rej o escrito de Cristovão d Almada que sera com este para vossa senhoria ordenar [?] que va [?] pera [?] o conselho da fazenda e que na conformidade [?] delle se despachem as fazendas de que se trata. Guarde Deus a vossa senhoria como desejo.

Da casa do governo a 13 de Abril de 1616.

Llembra o senhor viserey que no conselho da fazenda se consulte o que parecer sobre a lembrança de Cristovão d Almada acerca de se abater o preço da pedraria que para isso se mande ora da casa da India ho registo da que entrou nella da devassa a esta parte.
Cristovão Soarez



AHU, Açores, Caixa 1, doc. 14.
Cópia e extracto da carta régia sobre a devassa relativa à perda da nau Nossa Senhora da Luz.
29 de Junho de 1616



Per carta de Sua Magestade de 29 de Junho de 1616

Vj duas consultas do Conselho da minha fazenda que me emviastes com vossa carta de um do prezente Sobre o naufragio que a nao capitaina fez na Ilha do fayal E exçessos que o Corregedor das dos [sic] açores cometeo nas fazendas da mesma nao que Sairaõ nas prayas da dita Ilha E emcomendovos muito que façais remeter Logo ao Doutor Belchior pimenta a devassa que Bertholomeu de Vasconcellos tirou da perda desta nao com a carta original em que Manuel do Canto de Castro Provedor de minhas armadas nas Ilhas dos acores avizos dos ditos exçessos para que veja tudo E tire as testemunhas que lhe paresse para se acabar de Caleficar a prova da mesma devassa E depois de ellas tiradas E apurado negocio na forma que convem hey por bem E mando que ele a pronumçie E proçeda contra os culpados como for justiça; E pelo que tocar as fazendas das partes de que naõ aja dono requerera o procurador de minha fazenda o que lhe paresesse justiça porque Eu lhe dou para isso o poder que he necessario para semelhante Effeito.
Cristovao Soarez

[Á margem]
Mandei a ao senhor procurador da fazenda em 2 de julho de 616

[No verso] De sua magestade ao senhor Luis da silva Reposta a duas consultas Lançada a margem da consulta fólio 62.



AHU, Açores, Caixa 1, doc. 17.
Cópia e extracto da carta régia sobre a devassa relativa à perda da nau Nossa Senhora da Luz.
19 de Outubro de 1616


Per Carta de Sua Magestade de 19 de outubro d' 1616

Vj tres consultas do Conselho da fazenda que me inviastes. huma Sobre a artelharia da nao capitaina da armada do Cappitam manuel Coutinho que o anno passado fez naufragio na jlha do faial E esta bem feito o que nesta se aponta /. Outra sobre a devassa que tirou o desembargador Antão Alvares Sançhes da perdiçao da nao Sao boaventura da mesma armada E hej por bem que ella se despache em final na Relaçaõ, sendo presente o procurador de minha fazenda. E ir se me ha dando Conta do que nisso se for fazendo./. E outra sobre as liberdade dos capitaes mores. capitaes e gente da navegaçaõ das naos da Jndia e nisto como esta materia esta bastantemente provida por meus Regimentos, Ei por bem que elles se goardem Com pomtualidade, sem que por nenhum, caso se alterem em cousa alguma, e vos encomendo muito que assi o façaes cumprir/.

Cristovão Soarez

 

Citation Information:

Paulo Monteiro,
2003, The Nautical archaeology of the Azores:
O naufrágio da Nossa Senhora da Luz, 1615, Faial, Açores (V), World Wide Web, URL, http://nautarch.tamu.edu/shiplab/, Nautical Archaeology Program, Texas A&M University.