Carta sobre o pedido do capitão
João Álvares de Matos ao Rei relativo ao salvamento das peças de artilharia do
naufrágio do galeão São Nicolau, ocorrido em 1642 ao largo da Lourinhã.
Senhor
Dis o Capitão João alvarez de mattos morador na Villa da Lourinhaã que
este Serviso a Vossa magestade no Verão pasado no descobrimento
das nove peças de artelharia de bronze da nao almiranta que fes naufragio
naquella costa, assistindo com sua industria, e despeza de barco proprio, e
gente paga muitos dias na auzencia dos capitains Pedro fernão
barreto, e marcos dias neto Commissarios deste negocio E porque este
supplicante quer continuar a mereçer no serviço de Vossa magestade
e descobrir as mays peças neste Verão, para o que tem feito novo barco, para
começar avistar as peças lhe he necessaria alguma gente do mar dos que
uzão os barcos em peniche, e betas para aboyar as peças avistadas
Pede a Vossa magestade Licença para continuar este
Serviço e mandado para obrigar alguns homens do mar de Peniche e lhe
mande Vossa Magestade dar logo bettas por não bastar tempo e
trabalho, e que com aviso seu lhe acudão logo os Busios por ser a costa brava
[Abaixo, em letra diferente]
Imforme o Provedor dos Almazens E Com seu parecer. Lisboa 12
de Junho de 643
[Mais abaixo, em outra letra diferente]
Pareceme muito justo o que o suplicante pede e muito em
serviço de// Vossa magestade Sem que lhe veja couza que seja em
contrario. Lisboa, 13 de junho de 643
[No verso]
Provedor dos Almazens para prover do que for necessario ao suplicante
E se passe mandado para em mais na forma que pede