Who was who in the establishment of the Portuguese India Route

 
Pedro Álvares Cabral

Origens e nomeação
De acordo com tradições sem uma completa base documental, Pedro Álvares Cabral nasce em Belmonte em 1467 ou 1468. É o nono filho de Fernão Cabral, membro do Conselho do Rei e regedor da justiça real na comarca da Beira e Ribacoa, e Isabel Gouveia. As donatarias e senhorios do pai transitaram para João Fernandes, filho primogénito do casal, pelo que Pedro Álvares é obrigado a procurar fortuna de outra forma. Serve Dom João II, provavelmente numa praça do norte de África, pelo que recebe uma tença anual de treze mil reais. Em data que se desconhece, casa com Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque. No início de 1500, Pedro Álvares Cabral é escolhido para capitão-mor da segunda armada enviada por Dom Manuel à Índia. As razões da escolha não se conhecem, pois apenas se sabe que é "homem fidalgo, de bom saber", de acordo com Gaspar Correia, sendo discutíveis os seus anteriores conhecimentos de náutica.

A armada de 1500
A missão que Dom Manuel lhe confia é a de estabelecer as bases do domínio português sobre o comércio das especiarias no Oceano Índico, se necessário através da submissão violenta das autoridades locais. Para esse efeito é preparada uma armada de treze navios, dez naus e três caravelas de acordo com as opiniões mais credíveis. A viagem inicia-se em 9 de Março de 1500 e a rota inicial segue as instruções elaboradas por indicação de Vasco da Gama. Na primeira fase da viagem os navios dirigem-se até à ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde. Depois, torna-se necessário evitar uma zona de correntes e ventos adversos, pelo que é recomendada uma rota em arco pelo Atlântico Sul. Mas, ainda antes de Cabo Verde, um dos navios perde-se do resto da armada; Pero Vaz de Caminha identifica o seu capitão como Vasco de Ataíde. Os restantes navios seguem viagem até que, em 21 de Abril, se avista grande quantidade de ervas nas águas do Atlântico.

A descoberta da Terra de Vera Cruz
Na manhã de quarta-feira, 22 de Abril de 1500, os marinheiros da armada de Cabral avistam aves nos céus, o que lhesindica a presença de terra firme. Horas depois, avistam um monte muito alto, rodeado de serras mais baixas e terras planas com muitos arvoredos. Ao monte o capitão-mor dá o nome de Pascoal e à terra chama-a da Vera Cruz. A armada ancora à vista de terra e na manhã seguinte aproxima-se da linha de costa, com os navios mais pequenos à frente. Na praia avistam-se alguns homens em atitude amistosa. Os primeiros contactos entre os portugueses e as populações indígenas são bastante pacíficos e amistosos. Embora surjam com arcos e setas, os homens pousam-nos a pedido dos portugueses e mostram-se curiosos com os ornamentos utilizados pelos marinheiros. Os portugueses espantam-se com o facto de índios e índias não usarem qualquer cobertura no corpo, com a tonalidade parda da sua pele e com o hábito de furarem os beiços.

A caminho do Índico
Em 2 de Maio Cabral retoma a sua viagem. Para assinalar a descoberta manda erguer um padrão de pedra e uma enorme cruz de madeira. Para comunicar a descoberta a Dom Manuel, ordena que a nau de Gaspar de Lemos regresse ao reino com uma carta escrita por Pero Vaz de Caminha, onde se relatam as características da nova terra. A armada segue através do Atlântico Sul, onde uma tormenta faz desaparecer cinco navios, quatro dos quais nunca mais são encontrados. Já no Índico, os restantes seis navios chegam a Calecut em 13 de Setembro. Os contactos entre Cabral e o samorim não decorrem de forma favorável. Após longas negociações é concedida autorização para ser feita uma feitoria portuguesa na cidade, mas diversos equívocos levam ao massacre de muitos portugueses desembarcados. Em retaliação, Cabral afunda diversos barcos no porto e bombardeia a cidade durante dois dias, mas não consegue submeter o samorim ou carregar especiaria.

O regresso a Lisboa
Perante os problemas enfrentados em Calecut, Cabral dirige-se a outros portos do Malabar, em busca de especiaria para carregar as suas naus. O seu destino é Cochim, onde é recebido de forma pacífica e cooperante. As autoridades de Cochim, assim como as de Cananor, Cranganor e Coulão, colaboram com os portugueses no carregamento de pimenta, canela, gengibre e outras drogas, com o objectivo de obterem um aliado contra o samorim de Calecut, a que devem submissão. A viagem de regresso a Portugal inicia-se em 16 de Janeiro de 1501 e decorre sem incidentes de maior, apesar da perda da nau de Sancho de Tovar, a sul de Melinde. Junto às ilhas de Cabo Verde, os cinco navios sobreviventes reencontram a nau de Diogo Dias, com a tripulação reduzida a treze homens. Esta nau, depois de se perder, à ida, no Atlântico Sul demandara a ilha de S. Lourenço (Madagáscar) e os portos de Melinde, Mogadoxo, Socotorá e Berbera, onde sofrera uma cilada.

O destino de um descobridor
A armada de Pedro Álvares Cabral entra na barra do Tejo em 23 e 24 de Julho de 1501, à excepção do navio de Diogo Dias que apenas retorna no início de Setembro. Os resultados da viagem de Pedro Álvares Cabral não parecem entusiasmar muito Dom Manuel. Duas tenças são-lhe concedidas em 1500 e 1501, ainda antes do seu retorno e de se saberem os completos sucessos da sua missão. No entanto, a carga de especiarias e o descobrimento de uma nova terra não fazem esquecer a incapacidade de submeter o samorim de Calecut, pelo que não se seguem grandes honrarias. Em 1502 Cabral é designado para voltar a capitanear uma armada com destino à Índia mas, por desentendimentos que permanecem ignorados, é substituído por Vasco da Gama. Sobre a fase final da sua vida pouco se sabe. Em 1514 Dom Manuel concede-lhe nova tença, em virtude dos serviços prestados. A sua morte ocorre entre 1519 e 1520, em local desconhecido.



 

Citation Information:

Paulo Guinote,
2003, India Route Project:
Who was who in the establishment of the Portuguese India Route, World Wide Web, URL, http://nautarch.tamu.edu/shiplab/, Nautical Archaeology Program, Texas A&M University.