Who was who in the establishment of the Portuguese India Route

 
Diogo Cão

Ao serviço da Coroa
Sobre a vida de Diogo Cão pouco se conhece, sendo escassas e ambíguas as informações que nos restam, à semelhança do que se passa com as viagens pelas quais é recordado. Ao certo, apenas se sabe que a sua família se instala em Vila Real e que ele se torna escudeiro da Casa Real. O francês Eustache de la Fosse identifica-o como um dos capitães portugueses que patrulham o golfo da Guiné, cerca de 1480. Entre 1482 e 1486 realiza, provavelmente, duas ou três viagens de exploração da costa africana a sul do Cabo de Santa Catarina. Na primeira dessas viagens atinge a foz do rio Congo, que explora mais de uma centena de quilómetros para o interior, até á catarata de Ielala onde manda fazer uma inscrição numa rocha. A extensão e amplitude do rio leva-o a acreditar que acaba de contornar a África e de atingir o Índico. Dessa convicção informa o rei Dom João II após o seu regresso a Lisboa em Março ou Abril de 1484, que o recompensa com o título de cavaleiro.

Para sul do rio Congo
Dom João II, acreditando que o caminho para a Índia está aberto, envia novamente o navegador com a missão até mais adiante e explorar o acesso ao Índico. Ao mesmo tempo, na Oração de Obediência que envia ao papa Inocêncio VIII e que é lida em Roma por Vasco Fernandes de Lucena em 11 de Dezembro de 1485, o monarca vangloria-se do facto dos seus navios estarem à porta da Índia. Mas, na viagem (ou viagens) que então realiza, em 1485-86, Diogo Cão constata o seu erro, ao verificar que a costa africana se prolonga bastante para sul da foz do Congo. O limite meridional das suas viagens é atingido em Janeiro de 1486, em 22º 10' de latitude sul, quando chega à chamada Serra Parda. De volta a Lisboa, comunica a sua nefasta descoberta a Dom João II. Em seguida desaparecem quaisquer menções à sua pessoa na documentação. Este facto é explicado pela sua eventual morte ou pelo seu afastamento da Corte, por imposição do rei, insatisfeito com o equívoco cometido.

As dúvidas
Existe desacordo quanto ao número exacto das viagens realizadas por Diogo sobre a sua rigorosa datação. Os cronistas coevos contradizem-se: João de Barros e Rui de Pina garantem que foram duas viagens, Duarte Pacheco Pereira e António Galvão afirmam ter sido apenas uma. Outros autores arriscam a existência de uma terceira viagem. Na verdade, boa parte do que se julga conhecer sobre as viagens de Diogo Cão depende dos padrões que deixa ao longo do seu trajecto e das respectivas inscrições, assim como da toponímia incluída cartas como uma de Cristóforo Soligo, datada de cerca de 1486, da carta Martellus e do globo de Martim Behaim, de 1492. De qualquer forma, é incontroversa a importância das suas navegações na preparação da circum-navegação de África. É também com as suas viagens que se inicia a prática de assinalar com padrões em pedra as terras descobertas pelos portugueses e que se estabelecem os primeiros contactos com o rei do Congo
 

Citation Information:

Paulo Guinote,
2003, India Route Project:
Who was who in the establishment of the Portuguese India Route, World Wide Web, URL, http://nautarch.tamu.edu/shiplab/, Nautical Archaeology Program, Texas A&M University.