Naufrágio do São Pantaleão (II)

Paulo Monteiro

AHU, Baía (Luzia da Fonseca), cx. 11, Doc. 1375

Consulta do Conselho Ultramarino sobre a falta de poder no mar que se tem no estado do Brasil, para qualquer ocasião que se oferecer. Lisboa, 13 de Janeiro de 1651


[Na face]
13 de Janeiro 651
Do Conselho Ultramarino
Brasil
Lembrança a Sua Magestade que o Estado do Brazil esta muy falto de poder no mar, para qualquer occasião que se offerecer

Lago

Senhor

Como he presente a Vossa Magestade, com a partida para este Reino, da Armada Real, e da Esquadra da Junta geral do Comercio, E mais navios de particulares, ficou esta Bahia de todos os santos, muy desamparada, E sóo, nas forças do mar (como tambem que Do mesmo respeito Está ha mais tempo, a Capitania do Rio de Janeiro), e sem navios naquella Costa, que possão em alguma maneira acodir a qualquer necessidade, E Cometimento de Inimigos, nos seus portos E Capitanias, obriga a cuidado grande, E mais quando alguns presioneiros de Pernambuco, tem affirmado, que o oLandes desconfiado de poder permaneçer naqueLa Capitania, (ainda quando por Espaço de tempo, E guerra Larga, a possa vir a dominar) tem dado a Entender, que tem o pensamento em outra parte, E ja se persuadem alguns praticos, que como a Bahia ficou tão Sóo, havendo navegado para Ella, as dés ou doze naos do Estado de Olanda, que o Thenente Phellipe Bandeira de Mello deixou em Pernambuco, E oito mais pequenas, E intentado as qua facção, ou no Rio de Janeiro; Por tudo o que julgou o Conselho, ser necessario fazer a Vossa Magestade Esta lembrança Zelosa, E pedir lhe seja servido de com comonicação dos Conselhos de Estado (e da fazenda pelo que lhe pode tocar) ordene o que entender convem mais a seu serviço; ou que a junta do Comersio geral, faça algum Esforço para huma tal oucazião, para que aquelles vassalos vejão, que Vossa Magestade tem Lembrança delles, e os Inimigos não andem tão senhores daquelles mares, E qualquer que o socorro seja, sempre será de effeito, por as oucaziões E sucesso do mar serem varios, E nosso senhor custuma favorecer ao menor poder, quando tem por sy a Justiça e a razão, porque as armas de Vossa Magestade pelejão. Em Lixboa a 13 de Janeiro de 651

Francisco De vasconcellos da Cunha João Delgado figueira Diogo lobo pereira

[Á margem, letra diferente]
Tenho mister de fazer nesta materia tudo quanto permitir o estado das couzas deste Reino Lixboa a 15 de fevereiro de 651


AHU, Baía (Luzia da Fonseca), cx. 11, doc 1383

Consulta do Conselho Ultramarino sobre a relação dos navios de que consta a frota do Brasil. Lisboa, 25 de Janeiro de 1651.


[Na face]
25 de Janeiro 651
Do Conselho Ultramarino
Brazil
Com a carta do Conde de Castelo Melhor. Em que dá Relação dos navios de que constava a frota E de outros particulares.

Lago

Posto que por outras vias, deve haver chegado a Vossa Magestade notiçia, do que o Conde Governador do Brazil, Escreve na Sua carta inclusa, ou peLa 2ª, ou 3ª via da mesma carta, (se se deu na secretaria de Estado) Em quanto senão sabe com certeza, Julgou o Conselho por conveniente, Enviar a Vossa Magestade a mesma carta original, para por Ella (mandado a Vossa Magestade ver) constar a Vossa Magestade, de que a quantidade de navios constava a frotta; o que o Conde fez Em seu apresto, E quando procurou que fizesse viagem por Pernambuco, para trazer em sua Companhia os navios que ally estão carregados E detidos, E mostrar aos Inimigos, que não ha descuido em socorrer aquelles vassalos; E tambem o Conde por mayor se queixa, (como o faz Em outras cartas que se tem consultado a Vossa Magestade) das insolençias de alguns Cabos da armada com desprezo E dano da Justiça. Vossa Magestade visto tudo mandará o que for servido; Em Lixboa a 25 de Janeiro de 651

Francisco De vasconcellos da Cunha João Delgado figueira Diogo lobo pereira

[Á margem, letra diferente]
Fico advirtido Lixboa a 28 de Janeiro de 651


AHU, Baía (Luzia da Fonseca), cx. 11, doc. 1384

Carta do conde de Castelo Melhor, governador do Brasil sobre a armada a cargo do Conde de Vila Pouca de Aguiar. Baía, 20 de Outubro de 1650.


Senhor

Em 24 de septembro partio desta Bahia o Conde de Villa pouca com a Armada de seu cargo e da Companhia geral, que juntas aos Navios marchantes fasião numero de setenta; Neste porto se deteve o Conde dispois de Sua arribada cincoenta dias, que todos forão necessarios para se Refazer do que lhe faltava e de algum dano que havia recibido de que dou parte a Vossa Magestade em outra carta. A despeza foi mayor do que era o Cabedal com que me achava para a acudir a necessidade tão precisa, mas com os effeitos de que se havia de pagar aos herdeiros do Bispo Dom Pedro da Silva se Remedeou o que por outra via fora impossivel. Nesta occasião me parece que servi a Vossa Magestade como devia, pois sobrepujou a obra ao que se imaginava, julgando se por todos por muy dificultoso que a Armada Real se lhe podesse acudir como se fes; a que não ajudava nada as insolencias que alguns de seus cabos cometião em grande prejuiso da justiça e do bem publico, sem ser bastante para o Reprimir o desejo do Conde de Villa pouca em quem se Reconhece hum grande Zello do serviço de Vossa Magestade.
De Pernambuco me havia escrito a Camara e o Mestre de Campo general de quanta importancia seria que as Armadas fossem pello Cabo de Sancto Agustinho para tirarem os Navios que nelle estavão carregados, assim o Representey ao Conde e lho aconselhey por me parecer que a Reputação das Armas de Vossa Magestade ao bem daquelles moradores convinha porque visse o Inimigo com quanta facilidade Socorrião nossas Armadas aquella Capitania, tanto à Vinda, como à Volta para esse Reyno, e ainda que quasi todos os Vottos forão do Contrario, O conde partio com Resolução de hir por Pernambuco.
Confio em Deos que ha de ter muy prospero successo para que não só fiquem vencidos os Inimigos, mas animada aquella miseravel gente que tanto tem padecido e padeçe actualmente.
A Real pessoa de Vossa Magestade guarde Deos como seus Vassallos havemos mister Bahia 20. de Outubro 650

[assinatura ilegível]


AHU, Baía (Luzia da Fonseca), cx. 11, doc 1379

Consulta do Conselho Ultramarino sobre o que se tem passado com a armada do Brasil sua partida e sequestro dos navios ingleses. Lisboa, 24 de Janeiro de 1651.


[Na face]
22 de novembro 650
Do Conselho Ultramarino
Bahia
Com huma carta que a Elle veo remetida da secretaria de Estado, do Conde de Castelo melhor, em que dá
conta do que tem passado nas armadas, E sua partida, E sequestro dos navios Ingrezes

Torna a Sua Magestade satisfeito

Senhor

Da secretaria de Estado, se remeteo a este Conselho (entre outras) a carta incluza do Conde de Castelo Melhor, Governador do Brazil, e porque vem a ser Em satisfação das ordens que levou para a armada, E frota haverem de voltar a este Reino; e em Execução dos avizos que se lhe mandarão para o Embargo dos navios Ingrezes, e nada disto correo por este Conselho.
Pareceo tornala a enviar a Vossa Magestade para por Ella mandar ver tudo o que o Conde Escreve, e se ha que prover, ordenar, ou prevenir de novo; Em Lixboa a 22 de novembro de 650.

Francisco De vasconcellos da Cunha João Delgado figueira Diogo lobo pereira

[Á margem, letra diferente]

[Ilegível] he ao conselho que mandei/ [ilegível] sequestro dos bens dos ingrezes e das causas que para isso [Ilegível]/ [Ilegível] não os papeis que [Ilegível] achar, com elles me [Ilegível] o conselho seo pareçer sobre a carta do conde de castelo melhor Lixboa a 14 de janeiro de 651


Senhor

O Conselho nesta Consulta (como della consta E se vê) não teve tenção de pedir papeis alguns, antes tornou a Enviar a Vossa Magestade a carta do Conde Governador do Brazil, que se havia remetido a Elle da Secretaria de Estado (que he a que torna incluza) para Vossa Magestade a mandar ver, e as razões della, com as ordens que se derão E Enviarão ao Conde, sobre a navegação das armadas juntas, E sequestro dos navios Ingrezes, E considerar Vossa Magestade se havia que prevenir, ou ordenar de novo, pois nenhuma cousa das sobreditas havia corrido peLo Conselho nem Se tocava.
Sobre a fazenda sequestrada aos Ingrezes, se recebeo agora a carta, Inventario, E seis Letras , tudo incluso, que o Provedor mor da fazenda da Bahia, fez, E enviou a este Conselho// e outro tanto se tem remetido ao Conselho da fazenda, por se não perder tempo na cobrança, E arrecadação de tudo.
E sobre o que o Conde Governador Escreve, (como de antes o havia feito) em razão de as armadas não poderem hir junto ao Rio de Janeiro, se fez consulta a Vossa Magestade em 19 de Julho do anno passado, muito antes desta, E Vossa Magestade peLa scretaria de Estado, (vendo bem a materia E assento que na Bahia se tomou sobre ella) mandou responder em 18 de setembro, que ao Conde se Escrevesse (como se tem feito, E enviado as cartas) Estranhando sse lhe muito, o dano que se seguio ao serviço de Vossa Magestade, de Elle não guardar o Regimento que Levou, tão pontual, E inteiramente como devia, pois de a frota do Rio de Janeiro se desunir da da Bahia se seguio o prejuiso de se não poder Livrar da Armada do Parlamento, a qual Rezolução Esta Registada na secretaria de Estado, Com o que tudo se satisfaz ao que Vossa Magestade mandou em resposta desta Consulta. Em Lixboa a 24 de Janeiro de 651

Francisco De vasconcellos da Cunha João Delgado figueira Diogo lobo pereira

[Á margem, letra diferente]/ Ilegível] que o conselho ha de me advirtir nesta materia parece que esta [ilegível]/ nella o que convinha Lixboa a 28 de janeiro/ de 651


AHU, Baía (Luzia da Fonseca), cx. 11, doc. 1380

Carta do Governador do Brasil Conde de Castelo Melhor, para Sua Magestade, avisando da partida da armada a qual, tornando a arribar encontrou ordem régia relativa ao sequestro dos bens dos ingleses. Baía, 3 de Setembro de 1650.


[Na face]
Bahia 3. de setembro 650

Do Conde de castelo melhor

Aviza da partida da Armada
e que tornando a aribar achou a ordem de Sua Magestade Sobre o Sequestro dos bens dos Ingrezes

Senhor

Em 24 de Julho sahio o Conde de Villa pouca com a Armada de seu cargo e da Companhia Geral desta Bahia; constava o numero dos navios de sua conserva de setenta e dous; entre grandes e pequenos, e todos carregados bastantemente; forão os ventos tão escasso que entre a Tapoam e os Ilheos andou o Conde treze dias ás voltas sem poder montar nehuma das pontas, nem do norte, nem do sul, ate que obrigado de algumas embarcações que faziam agoa e havião Recibido dano nas Vellas (principalmente São Pantalião na peLeja que teve com duas fragatas Olandesas e hum Pataxe) tornou a entrar em cinco do corrente neste porto; E porque nesse mesmo dia me chegou a carta de Vossa Magestade na qual se me ordenava o Sequestro da fazenda dos Inglezes, E juntamente ao Conde lhe mandava Vossa Magestade suspender a partida porque a chegada fosse em Janeiro a esse Reyno; Veio a ser de grande conviniencia para que se podesse executar a Ordem de Vossa Magestade de 11 de Junho E averem as Armadas encontrado com tão Roins tempos. Quererá nosso senhor que seja para chegarem a esse porto com a felicidade que dezejamos e importa á conservação deste Estado. A arribada do Conde outra ves a esta Bahia foi de grandissima opressão para esta praça, porque tudo que não he querenar os navios se perde de novo delles para poderem navegar. Eu tenho offerecido ao Conde e dado para o apresto e sostento da Armada tudo o que me tem sido possivel, E elle deve escrever a Vossa Magestade nesta conformidade.
A Capitania Real tocou em hum baixo no meio desta Bahia, donde esteve com perigo cuidante, E sahio delle de sorte que com se lhe consertar o Leme tornará a prosiguir Sua Viagem; não aconteçeo o mesmo á da Companhia geral, porque de mais de perder o Leme em hum baixo defronte da barra de Giguaripe Recebeo tão grande dano que senão fora pello cuidado do Almirante Pedro Jaques de Magalhães, se perdera; Comtudo pareçeo que se descarregasse e ficasse neste porto para poder forneser se e querenar de novo, porquanto de proximo não será possivel partir Nos Inventarios das fazendas de mercadores Inglezes// E navios, se fica trabalhando E executando o que Vossa Magestade he servido que se faça Cua Real pessoa guarde Deos como seus vassalos havemos mister Bahya 3. de septembro 650

[assinatura ilegível]

[Á margem, letra diferente]
o que depois de vir a frota do Rio se soube desta ordem, por que deve o Conde de castel melhor a anthão themudo lhe ordenava partisse do Rio para a Bahia athe 8 de julho e em falta em dereitura para o Reino por donde veyo em 12 do mesmo


Copia

Senhor

Foi Vossa Magestade servido mandar remeter a Junta da companhia geral tres consultas do conselho Ultramarino com decreto de quatro deste, para que ella disesse a Vossa Magestade o que sobre cada huma se lhe offereçesse; sendo huma dellas açerca da resolução que o Conde de Castel melhor Governador do estado do Brazil tomou em não hir a armada da companhia da Bahia ao Rio de Janeiro na forma do regimento que levava de Vossa Magestade

Senhor ordinariamente se seguem grandes dezordens de se não guardarem inviolavelmente as que se dão nos regimentos, premeditandosse nelles contanto cudado, como se fez no desta armada, antevendosse assy descursivamente como por avizos do Norte o que se devia seguir, unindosse as forças desta coroa nos principios da instetuição da companhia, de maneira que fazendo opoçissão ao poder de seos enemigos lhe derrotasse os intentos de atalhar seos augmentos; prevenio a Junta isto de maneira que não fiando ainda do poder que havia no Brazil, fretou as sinco naos Ingrezas detidas pello Parlamento para que unindosse com a armada no Rio de Janeiro fosse toda com segurança a Bahia e viesse a este Reyno, acompanhando a real, despachandosse para esse effeito dous avizos que partirão desta Cidade em 20 e 24 de março, encomendandosse a união e conserva das armadas; ao que Vossa Magestade deferio de modo, que foi servido mandar, que a sua Real ou parte della que estivesse aparelhada acompanhasse ao Rio a da companhia, e quando se esperasse por ella na Bahia, estivesse toda prestes para a socorrer, sendo neçessario para tudo junto vir a este Reyno.
Sendo esta a despoçissão e regimento que Levou, se alterou na Bahia, por se oporem algumas deficuldades que se seguirão de esperar a armada de Vossa Magestade e hir toda a companhia ao Rio de Janeiro as quasi apoyadas pellos cabos d armada e outros pareçeres, dezejando todos pouca dillação naquelle estado, se resolveram a mandar ao Rio de Janeiro tres navios; faltando d armada outros tres, que não havião chegado, devedindosse, e enfraquecendosse o poder contra o dictamen dos regimentos que levavão, cujo sentimento supremio a Junta, vendo que o zello do conde de castel melhor, e mais menistros, foi em ordem a lhes parecer que se açertava melhor no serviço de Vossa Magestade; concorrendo todos os da Bahia naqueLLe pareçer pella diLLação que na viagem houve excepto os administradores da companhia da Bahia que responderam que se guardassem as ordens e regimentos.
Desta resolução se seguio o erro da Segunda, porque suposto que se tomou, se devia ordenar aos tres navios que hião ao Rio de Janeiro buscar a frota partissem deLLe athe tal tempo que para Bahia com os mercantes que para os acompanhar estivessem aparelhados; e que quem para este tempo não estivesse prestes , ficasse para outro anno, e não prezumirsse, que se lhe ordenou, que se não partisse athe tal tempo viesse só para este Reyno, ariscandosse a vir cahir no mayor perigo que he dos enemigos que andão nas Ilhas, e nesta costa, tendo posto este Reyno então grande contingençia e cuidado; qual he o que de prezente se tem, de que excedendo a forma do regimento seja forçado á frota do Rio, que tomando as Ilhas, se descarregue nellas, donde se teme tanto sua perdição, ou venha enfraquecido com vinte// navios de pouca ou nenhuma força com tres de comboy demandar a barra donde estou, o que he notorio: atalhandosse tudo com se haver guardado o regimento a troco de terem mais aLguma diLLação.
Supposto isto que não tem mais remedio que esperar lhe bom suçesso; o que pareçeo a Junta que se podia dar a frota do Rio de Janeiro se vier só demandar as Ilhas (como se entende da declaração que o Bisconde de Villa nova de çerveira tomou ao alféris do capitão Vitorio Zagallo preto, que vindo de avizo foi tomado peLLos Olandezes, e o secretario de estado Remeteo a Junta com ordem de Vossa Magestade para lho consultar) consultou por sete votos a Vossa Magestade em 24 deste entregandosse na mão do mesmo secretario de estado, de que não tem athe agora resolução deLLa, como pedem a Vossa Magestade lhe faca merçe; e para o mais que Vossa Magestade se sirva de recomendar a seus menistros a observançia dos regimentos de que sempre se seguirão os mayores açertos Lixboa 30 de Agosto de 650.
Hyeronimo gomez pessoa = Francisco fernão sebastião nunez = Francisco botelho chacon = Baltazar roiz de magos = gaspar malheiro = gaspar pacheco=

Resolução de Vossa Magestade

Tenho deferido, e ao conde mandarey advertir do dano que se seguio a meu serviço de não guardar o regimento que se lhe deu tão pontulamente como devira Lixboa 28 de Setembro 650 Rey


Copia do decreto que foi com a consulta acima

Vejão sse na Junta da companhia geral do comercio as tres consultas incluzas do conselho Ultramarino, a saber huma sobre os administradores deLLa duvidarem pagar das pipas de vinho que vão deste Reyno o mesmo que pagão de direitos os da Ilha da Madeira; outra sobre o assento que se tomou para a armada da mesma companhia não poder passar ao Rio de Janeiro; e outra sobre os mesmo administradores aLterarem os preços dos generos que rezervaram, e consultasse Logo o que açerca de cada huma deLLas lhe pareçer Lixboa em 4 de/ Agosto 1650 ~ Rey//


Copia

Senhor

Em 29 do passado consultou a Junta a Vossa Magestade pella secretaria de estado o que se lhe offereçeo sobre os avizos que era neçessario darsse a esta frota do Rio de Janeiro; lembrando que tambem Vossa Magestade se devia servir, mandar despachar alguns ao Conde de Villa pouca general d armada Real, e da companhia para que chamasse a sy os capitaes Ingrezes que com elle vem, e os prendesse na capitaina, dando lhe muito bom tratamento; trepullando a sua gente do mar com alguma portugueza, e reforçando aquelles Navios de mais infantaria; e porque como a Junta não teve notiçias do que Vossa Magestade resolveo nesta materia e ella ser de tanta importancia.
Pareçeo pedir a Vossa Magestade se sirva de mandar escrever ao conde general na forma referida, e que se lhe despacho em quatro ou sinco avizos que andem 50 ou 60 Legoas ao mar peLLa aLtura por donde conforme ao regimento deve vir, e para ser prezente a Vossa Magestade o que foy servido dar neste partecular a armada da companhia Vay a copia delle para que conferida com o que Levou o conde general da Real se mandem os avizos pella que provavelmente vira.
Lixboa 26 de Setembro de 650 - Baltazar roiz de matos = Luis diaz franco = Francisco botelho chacon = gaspar malheiro =

Resolução de Sua Magestade

Tenho deferido. Lixboa 28 de Setembro de 650 ~ Rey


Copia dos capitullos 11 e 19 do regimento que Levou o Conde
de Castel melhor general d armada da companhia

Em chegando a Bahia com a armada não deixareis dezembarcar soldado, nem marinheiro algum, e com toda a brevidade fareis descarregar a quantidade dos estanquos que houverem de ficar naquella praça, que sera a que os administradores da companhia lhe pareçer, e dentro de dez ou doze diaz (ao mais tardar) mandareis partir toda a armada para o Rio de Janeiro; hindo a governando o Almirante Pedro Jaques de magalhães, a quem conçedereis vossos poderes, e dareis este regimento; para que chegando ao Rio de Janeiro faça dar dar querena a todas as naos da armada que neçessitarem deLLa, e com a mayor
brevidade que lhe seja posivel tome a carga de asuçares que as naos d armada houverem de trazer do Rio, aplicando tambem que as mercantes que a houverem de acompanhar estejão prestes o primeiro dia do mez de mayo, tempo em que infalivelmente ordeno que parta a armada do Rio de Janeiro, e venha a Bahia a encorporarsse com a minha Real, debaxo de cujas bandeiras e ordens de pelesjar e navegar do general deLLa ha de vir para este Reyno governada pello Almirante Pedro Jaquez de magalhães na conformidade do Alvara que sobre este partecular mandey passar//cuja copia hirá Lancada no fim deste regimento advertindo que a carga de asucares que carregardes nas naos d armada seja aquella somente com que ellas fiquem bem capazes de navegar e pelesjar, e sendo mais a carga, que aquella que for necessaria para a Lastrar, advertireis que na arrumação se deixem corredores peLLas amuradas para se poder tomar a agoa das balas por dento (sic)

Cappitulo 19

Quando a armada vier do Brazil para este reyno se for a tempo que possa chegar a esta costa athé 20 de Agosto, virá a oeste da Ilha do corvo o que baste para a não avistar, athe se por em quarenta e dous graos, e daLy virá, demandar a terra, e tomar entre Viana e o Porto, deixando nestes os navios que para eLLes vierem, e com os mais se vira recolher nesta Cidade, mas se o tempo em que houver de chegar a esta costa, for de 20 de Agosto em diante, virá dezembocar por entre a Ilha da Madeira e a de Santa Maria, e daLy demandando a barra de setuval, se recolherá nesta de Lisboa com toda a armada e navios mercantes, procurando não avistar as Ilhas dos açorres por muitas rezões de meu servico.


AHU, Baía (Luzia da Fonseca), cx. 11, doc. 1385

Consulta do Conselho Ultramarino sobre os grandes gastos que fez a armada depois de arribar à Baía, de que se deve tomar contas ao vedor geral. Lisboa, 26 de Janeiro de 1651.


[Na face]
26 de Janeiro 651
Do Conselho Ultramarino
Bahia

Sobre o que Escreve o Conde de Castel melhor, acerca dos grandes gastos que a Armada fez, depois de
arribar á Bahia, E se dever tomar Conta ao Vedor geral E vay inclusa huma carta do Conde

Lago

Senhor

Por decreto Rubricado da Real mão de Vossa Magestade, da datta de 3 do prezente, Manda Vossa Magestade que neste Conselho se veja logo, a carta em que vinha posto, do Conde de Castel melhor Governador do Brazil, e se lhe consulte o que pareçer.
Na carta refere o Conde, que com a demóra que as Armadas fizerão na Bahia despois que a Ella tornarão arribadas, teve o Almirante Pedro Jaques de Magalhães, lugar de dar querena á Capitaina São Pedro, que a principio pareçia impossivel, a prestarse a tempo que pudesse navegar com a frotta, porem, que tal foy o cuidado E deligencia do Almirante, que venceo as difficuldades que se julgavão por grandes; E que se Em todos os que servem a Vossa Magestade ouvesse igual Zello de seu Real Serviço, ao que se reconheçe em Pedro Jaquez, não se Experimentara o que agora se padeçe E as faltas que ouve na Armada Real, porque ou o Vedor geral della, a não forneçeo do necessario (dando lhe Elle Conde todo o dinheiro que lhe pedio para Esse effeito) ou os Cabos E Mestres dos navios, o furtarão, posto que mostrem os livros de suas Reçeitas, sem lhe hir carregado o que de novo pedirão, não sendo possivel que Em treze dias de viagem se gastassem; que se a conta de tão grande despeza, como foy a que a Armada de Vossa Magestade fez naquella Praça depois que surgio nella, se tomasse ally ao Vedor geral por Ministros desintereçados E sem paixão, se dera huma grande satisfação a aquelle Povo, ou constando da inoçencia do Vedor geral, ou castigando a culpa se a tivesse, E que Esta materia não he de tão pouco pezo, que não mereça mandala Vossa Magestade considerar por pessoas desinterecçadas por serem muy prejudiçiaes consequencias, as que se seguem de estes gastos se não apurarem com toda a verdade.
Ao Conselho parece, cousa mui conveniente e necessaria fazer se o que o Conde de Castel milhor governador do Brasil aponta pois de se averiguarem os procedimentos dos ministros se segue dar se lhes o premio ou castigo que merecerem// (que he o que pedem todas as Leis, e rezão de bom governo) e que Vossa Magestade por seu serviço, e por dar satisfação a Vossa Magestade E Vassalos, como os da Bahia, deve mandar que naquella Cidade se devasse, dos procedimentos dos ministros/ superiores E inferiores da Armada, E particularmente do/ Vedor geral de que tantas E tão duplicadas queixas fazem todos.
E isto por julgadores tão inteiros e inteligentes que por seu meo se possa vir em conhecimento da verdade para se dar satisfação a justiça. Em lisboa a 26 de Janeiro de 651 - E aqui se envia a Vossa Magestade huma das da carta do Conde que Vossa Magestade mandou ao Conselho pelo decreto nella posto

Francisco De vasconcellos da Cunha João Delgado figueira Diogo lobo pereira


AHU, Baía (Luzia da Fonseca), cx. 11, doc. 1386

Carta do Conde de Castelo Melhor, Governador do Brasil, ao Rei, sobre a demora das armadas no Brasil. Baía, 23 de Setembro de 1650.


[No topo, letra diferente]
Veja se no Conselho Ultramarino E o que se deve fazer nos particulares de que trata esta carta. Salvaterra 23 de Janeiro de 651. Rey

Senhor

Com a demora que as Armadas fiserão nesta Bahia, despois que Segunda ves entrarão nella arribadas, teve Lugar o Almirante Pedro Jaques de Magalhães de querenar a Capitaina São Pedro que a principio parecia impossivel aprestarse a tempo que podesse hir nesta frota; porem tal foi o cuidado e deligencia do Almirante que venceo as deficuldades que se julgavão por grandes. E se em todos os que servem a Vossa Magestade ouvesse igual Zello de seu Real serviço ao que se Reconheçe em Pedro Jaques, não experimentaramos o que agora padecemos de faltas na Armada Real, porque ou o Vedor geral della a a não forneçeu com o necessario (sendo assy que lhe dei todo o dinheiro que me pedio para esse effeito) ou os Cabos e Mestres dos navios o furtarão posto que mostrão os Livros de suas Receitas, sem lhe hir carregado o que agora pedem, não sendo possivel que em treze dias de viagem se gastasse. E se a conta de tão grande despesa quanta foi a que a Armada de Vossa Magestade fes nesta praça despois que surgio neste porto, se tomasse ao Veedor geral aqui por ministros desapaixonados, devasse huma grande satisfação a este Povo, ou constando da Inocencia do Veedor geral, ou castigando a culpa se a tivesse.
E esta materia não he de tão pouco pezo que não mereca mandala Vossa Magestade considerar por pessoas desinteressadas, porque são muito perijudiciaes consequencias as que se seguem de estes gastos se não apurarem com toda a Verdade.
A Real pessoa de Vossa Magestade guarde Deos como seus Vassalos havemos mister Bahia 23. de Septembro de 650

[assinatura ilegível]


Citation Information:

Paulo Monteiro,
2003, India Route: A perda do galeao S. Pantaleao, 1651 (II), World Wide Web, URL, http://nautarch.tamu.edu/shiplab/, Nautical Archaeology Program, Texas A&M University