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Livro da fábrica das naus, c. 1580
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Facsimile
Transcription
Translation
Texts
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The
Liuro da Fabrica das Naus has been dated to 1580 and is the second text on shipbuilding by Fernando Oliveira. His
previous work in Latin, Ars Nautica, contained a section on shipbuilding as well.
Fernando
Oliveira was born around 1507 at Aveiro, a coastal city with great mercantile traditions. He studied at the University
of Évora where he became a Dominican priest at the age of 25. Soon after he left for Spain, for unknown
reasons.
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In
1536 he was again in Lisbon where he published his first book, a Portuguese grammar, the first known. Around 1540 he left again to Spain, and from there he sailed to Genoa, where he visited
the shipyards. When his ship was seized by a French galley he was made a prisoner but managed to be engaged
as a pilot.
Oliveira
served as a pilot in the galley of baron Saint-Blancard from where he probably witnessed the sinking of the Mary Rose at Portsmouth. In 1546 his galley was taken by the English and he was imprisoned. In England he visited the shipyards, and may have met James Baker, the father of Matthew
Baker. His resources must have been many, for soon he was serving as a diplomat near the future
King Edward VI, whose protestant inclinations did not seem to prevent from admire Father Oliveira, since he is
known to have given him the unusual amount of £110, certainly not for counseling in shipbuilding industry,
for it is known that James Baker's salary was not more than 12 pence per day, less than £20 per year, and
that even Agustino Levello, one of the Italian shipwrights hired by Henry VIII in 1543, made only 16 pence per
day.
Oliveira
served as a pilot in the galley of baron Saint-Blancard from where he probably witnessed the sinking of the Mary Rose at Portsmouth. In 1546 his galley was taken by the English and he was imprisoned. In England he visited the shipyards, and may have met James Baker, the father of Matthew
Baker. His resources must have been many, for soon he was serving as a diplomat near the future
King Edward VI, whose protestant inclinations did not seem to prevent from admire Father Oliveira, since he is
known to have given him the unusual amount of £110, certainly not for counseling in shipbuilding industry,
for it is known that James Baker's salary was not more than 12 pence per day, less than £20 per year, and
that even Agustino Levello, one of the Italian shipwrights hired by Henry VIII in 1543, made only 16 pence per
day.
We
do not know what services Oliveira rendered to the king, but in 1547 he was back in Portugal and was arrested by
the Holy Inquisition. He refused to comment on King Henry VIII's religious views, in his own words because "he had been Henry's servant, and eaten his bread." Freed in 1551, Oliveira engaged in the Portuguese expedition of 1552 against Algeria, where
he was taken prisoner after the defeat of the Portuguese army. There, once again he visited the shipyards. Freed two years later in 1554, he was back in Portugal, where he published his A Arte da Guerra no Mar and was arrested soon after, again by the Holy Inquisition, although we do not know exactly
why. In 1557 he was freed again and probably left Portugal forever.
He
died after 1585, presumably in France, leaving a series of unpublished works, among which are the Ars Nautica, now in the Library of the University of Leiden, and the Liuro da Fabrica das Naus presently in the National Library of Lisbon, in the codex 3702.
The
Liuro is the theoretical work of a scholar and not the practical work of a shipwright. It is
comprised of a clear text, with few illustrations, and is, unfortunately, incomplete. As it survived, it is divided into nine chapters. Father Oliveira defines the dimensions of the primary structural components of a ship -
stem, stern post, midship and tail frames - as simple proportions of the length of the keel. He then describes the use of algorithms similar to the ones described by Timbotta - such
as the mezzaluna or the incremental triangle - to calculate the narrowing and rising of the floor timbers
in the central portion of the hull, between tail frames (almogamas), the first and the last of the pre-designed frames of a vessel.
As
Father Oliveira described it, all the frames in the central portion of the hull were pre-designed. No indication is given of the conception of the frames before and after the tail frames,
but the use of ribbands is suggested.
The
midship frame is quite simple: a flat floor and a single circular arc for the futtocks. The chapters on rigging are missing. The Liuro is available in two editions which both contain a facsimile of the original, a transcription
and a translation into English. The second edition contains a translation into Cantonese.
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Bibliography
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Barker, Richard, Fernando Oliveira, The English Episode, 1545-47, Lisboa: Academia de Marinha, 1992.
Domingues, Francisco Contente, Os navios do mar oceano, Lisbon, Centro de História dos Descobrimentos, 2004.
Glasgow, Tom "Maturing the Naval Administration," Mariner's Mirror (1970) 56:3-26, 10 and 24.
Mendonça, Henrique Lopes de, O
Padre Fernando Oliveira e a sua Obra Náutica, Lisboa: Academia
Real das Sciências, 1898.
Oliveira, Fernando 1580, O Liuro
da fabrica das naos. Fac-simile, transcription and translations
into English and Chinese, ed. Academia
de Marinha and Museu Marítimo de Macau, Macau, 1995.
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Table of Contents
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Quilha
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1 unidade = Q
deve ter secção
rectangular, um pouco maior que o liame
de sobro, se possível
um pau inteiro
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:89-90
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Boca
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suponho que seja a
boca pela face exterior das balizas
1/3 até ½
Q , i.e. 1/3 x [Q + (Roda = Q/3)] ou seja
1/3 x 1.33 Q = 0.44 Q
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:86, 113
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Pontal
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suponho que seja o
pontal da face superior da quilha à face superior do convés
1/3 Q = 0.33 Q (sempre
um pouco menos que a largura)
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:86, 113
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Roda
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da mesma madeira que a quilha e da mesma
secção
¼ de círculo
c/ R=Q/3 + altura p/ escovém (na vertical)
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:90
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Cadaste
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lançamento:
a) 1/7 do arc. c/ R=Q/3, ou
0.224 R, ou 0.075 Q
b) 1/4.5 = 0.222 R, ou 0.074
Q
c) 1/4 = 0.250 R, ou 0.083
Q
da mesma madeira que
a quilha e da mesma secção
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:91-92
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Painel da Popa
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não é referido
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Gio
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da mesma madeira que a quilha e mais
grosso que o cadaste
½ da largura
máx.
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:92
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Coral da roda
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grossa e forte, da mesma maneira &
madeira que a quilha
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:93
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Coral do cadaste
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grossa e forte, da
mesma maneira & madeira que a quilha
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:93
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Sobrequilha
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por cima das cavernas,
também para as ligar, para que não se despreguem da quilha.
grossa e forte, da
mesma maneira & madeira que a quilha
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:93
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Fundo
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tem tantas cvs de cada
lado como rumos tem a quilha toda
é o espaço
entre as almogamas
|
c
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Cavernas mestras
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posição:
a) navios pequenos, a meio
da quilha;
b) navios grandes, até
1/8 da quilha p/ vante
comentários:
a) quanto maior é o
delgado, melhor governa o navio;
b) as que estão no
plão são as mestras e não alevantam nem dobram;
número:
a) até 15
rumos: 1
b) 15 a 18 rumos: 2
c) 18 rumos ou mais: 3
secção
U c/ 1 palmo de goa de lado:
a) nos navios de100 a 300
tonéis basta um palmo comum
b) nos navios de 60 a 100,
um palmo comum menos 1 polegada ou 2 dedos
traçado:
a) Base: horizontal, c/ largura
de 1/3 a ½ da Boca
b) Braços: circulares
c/ centro num eixo long. horizontal, a 1/3 abaixo da altura do convés, subindo até ¼ abaixo
da altura do convés
c) Hastes: rectilíneas
(últimos 25% da altura, até ao convés), ligando o arco de circulo ao topo do convés
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:94, 116
:105-107
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Almogamas
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são as cv dos
topos do fundo
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:95
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Par
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é a medida de
1 cv + 1 vão
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Compartida, alturas
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é o valor da
subida total dos graminhos
os graminhos de popa
e proa são diferentes: o da popa sobe mais
a) popa: sobe 1/12 do comprimento,
i.e. 1.5 pares p/ 18 cv
b) proa: sobe 1/12 - ½
ou 1/3, ou seja, sobe ±
1 par p/ 18 cv
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:96
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Graminhos, alturas
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calculam-se segundo
um de três métodos:
1.º - "besta", que corresponde ao sen 90º / n.º
rumos da quilha x compartida;
2.º - "rabo de espada",
é um método gráfico de tentativa e erro
3.º - "brusca" , só
para navios pequenos, é uma série linear: 1, 2, 3, .
as cv mestras não têm número
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:95-100
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Regel
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linha recta entre a
cabeça do graminho (na almogama de popa) e 1/3 ou ½ da altura do cadaste
é o delgado
da popa
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:100
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Enchimento da proa
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arco entre a cabeça
do graminho, i. e., a face superior (na almogama de proa) e 1/3 do comprimento da roda
deve ser pouco expressivo
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:100
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Compartida, fundo
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recolhem o mesmo à
proa e à popa, i. e., as compartidas são iguais
desenha-se da mesma
forma que o das alturas
a) no plão o fundo
deve ter de 1/3 a 1/2 da boca
b) até às almogamas
deve recolher 1/3 nos navios grandes (um pouco mais nos pequenos)
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:101
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Graminhos, fundo
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por um dos três métodos
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:101
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Espalhamento
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não é
referido
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Graminhos, convés
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desenha-se da mesma
forma que o das alturas
recolhe ± 1/8 da maior largura, metade de cada lado (estib.
e bomb.)
entre almogamas a compartida
é o dobro da do levantamento, i.e., o convés recolhe de cada lado o mesmo que a caverna levanta
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:113
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Graminhos, Proa
|
desenha-se da mesma
forma que o das alturas
recolhe os 7/8 que
faltam
"alguns mestres costumam
fazer a esmo segundo as suas estimativas, encostando o liame sobre as armaduras"
na proa as hastes são
em baixo e os braços em cima
as primeiras cavernas
da proa, logo a seguir à almogama, devem ter chão
contudo, a partir do
2.º par, devem começar a fazer um ângulo agudo com o eixo da quilha
serrando os cantos
contra o enchimento as cvs da proa deverão ter os pés maciços até à roda
no primeiro terço
de altura as cvs devem ser pouco arqueadas
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:109, 111, 113
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Popa
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da almogama para a
popa recolherá o convés 3/8 da largura máxima, metade de cada lado
ficando o gio com ½ de toda a largura
na popa os braços
são em baixo e as hastes em cima
as cvs devem fazer
uma transição suave até aos Revesados
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Latas
(ou Vaus)
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podem ligar todos os
braços
basta de 2 em 2 braços,
sendo que de 3 em 3 vaus, se põe um mais forte
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:113
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Cobertas
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pé-direito mínimo
= 7 palmos de goa
a) 36 a 42 palmos de altura
total, 3 cobertas: 15p + 8 a 9p + 8 a 9p + mareagem
b) 36 p, 3 cobertas: 14p +
7p + 7p
c) 30 a 36p, 3 cobertas: 13p
+ 6p + 6p
d) até 30p, 2 cobertas
e) até 24p, 2 cobertas
f) até 15p, 2 abertos
(estroncados) - quando muito c/ ½ coberta à popa
as cobertas não
devem passar de 3
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:114
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Grade (ou Ponte)
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os navios grandes armam
sobre o convés uma grade sem tábuas, quase igual a uma alcáçova
sobre esta grade se
lança uma rede de corda (ou coros de vaca crus, nos navios de guerra, como protecção contra
fogo lançado pelo inimigo)
não deve ser
mais alta que o bordo da mareagem
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:115
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Pregadura
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deve ser tão
longa que atravesse quase toda a madeira, e em algumas partes passe além
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:117
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Costado
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os que hão-de
servir na guerra ou fazer viagens grandes devem ter tabuado grosso:
a) se fôr pinho ou cedro
ou lerez, 4 dedos ou mais
b) se fôr angelim ou
outra madeira rija, mais de
3 dedos
nos navios de cerca
de 300 tonéis, deve ter um pouco menos
nos de menos de 200
t, mais
de 2 dedos
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:117, 118
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Sobrecostado
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nas naus da Índia
já se usa um costado duplo, sobre a galagala
tb deve ser pregado
e breado e, se não fôr calafetado, q seja bem junto e cerrado
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:117, 118
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Cintas
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devem ter pelo menos
mais 2 dedos que as tábuas e secção mais quadrada que rectangular
ficam portanto salientes
e correm ao longo do casco
a 1.ª põe-se
ligeiramente abaixo da 1.ª coberta, ou ao nível do dormente desta
as restantes, quantas
couberem, até ao convés, de 3 em 3 palmos
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:118
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Escoas e Dragas
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no costado do porão
não se costumam pôr cintas por for a, mas lançam-se por dentro tábuas grossas, as escoas
e dragas
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:118
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Calafetagem
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"estoparão uma
vez, e duas, e quantas fôr necessário até as fendas não poderem mais levar, entupindo-as
à força de maço, com estopa limpa e não podre"
"também atentarão
com exscopro as tábuas, se são podres ou eivadas: e farão tirar as ruins e pôr em seu
lugar outras boas"
"até nos buracos
dos pregos cumpre que atentem, se ficam todos tapados com seus pregos"
depois chamusca-se
a superfície, para o breu agarrar nas tábuas lisas
dá-se uma demão
com breu "como quando aciam as paredes das casas
volta-se a verificar
as estopas com maço e escopro, a ver se o chamusco não queimou a estopa
dá-se 2.ª
demão com breu
sobre o breu pregam-se
então chapas de chumbo (nos navios que fazem viagens longas)
"em algumas não
bream mais que as fendas sobre as estopas" quando a madeira não se corrompe, como o angelim (ou quando têm
pouco breu)
nos navios a remos
dá-se sebo
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:119
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Obras mortas
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sobre a mareação
edificam-se os castelos
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:120
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Castelo da popa
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o castelo da popa (nos
navios de carrega) tem dois sobrados: o 1.º chama-se tolda (7 ou 8 palmos) e o 2.º alcáçova
(1/2 da tolda)
os sobrados têm
borda de madeira (sejam grades, paveses ou tábuas) com uma goa de altura, para resguardo
a tolda pode entrar
do gio p/ dentro ½ do convés, lançando para a ré 1/5 da tolda
tem a largura do convés
nos navios latinos
não se lança tanto o c.popa p/ caber o carro
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:120
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Castelo da proa
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o vão debaixo
dele chama-se habita
avança para
dentro ½ da altura do convés
tem em altura 1/3 da
altura do convés
para for a da roda
pode-se lançar alguma coisa, ao critério do mestre, acabando em ângulo agudo, por forma a ficar
triangular
nos navios latinos
não costuma haver c.proa para se poder mudar a vela (passar o "caro")
a menos q este caiba,
como nas galeassas e outros navios longos
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:120, 121
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Governalho
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os navios devem ter
o tampão (?) largo, o regel alto e o delgado longo
"em algumas partes
o fazem dobradiço de 2 peças encaixadas à maneira dos ossos do cotovelo, (.) e das peças
uma chamam cana, que é a que está pegada com o leme e a outra em que anda a mão do marinheiro,
se chama pinção"
"porém mais
certo é o inteiriço porque afirma o movimento da mão e faz ir o governalho seguro para onde
o mandam"
há dois tipos:
a) leme
de pá: é como um remo, o seu ligar é na ilharga
b1) leme de roda, com cadaste
direito (q são todos os de caravela para cima):
preso com macho/fêmeas;
de toda a altura do cadaste
em baixo a largura deve ser
tanta como o lançamento do cadaste
em cima dece ter ½ dessa largura
deve ser feito de várias
peças pregadas e vale mais estar sobredimensionado
todos os machos no leme e
todas as fêmeas no cadaste
devem ser feitos entalhes
("encarnas") no leme (no cadaste enfraqueciam a estrutura)
os braços dos machos
devem abraçar todo o leme
devem-se travar os machos
com cavilhas rebitadas, sob as fêmeas
na base do cadaste deve ser
lançada uma unha com 1 palmo, chamada polegar, que guarda o leme dos empecilhos
abase do leme pode ser arredondada
b2) leme de roda, com popa
curva:
todos os machos no cadaste
e fêmeas no leme
o mais baixo dos machos deve
ser ³ ½ da altura do leme
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:126-129
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Obs.
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nos navios de guerra
o liame deve ser mais poderoso que nos de carrega
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:116
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